Pular para o conteúdo
domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Tokenização: quem captura a receita dos ativos na blockchain?

A Citrini Research defendeu que a tokenização pode dar às blockchains um papel mais claro nas finanças. A análise, apresentada pela CoinDesk em 17 de outubro de 2026, desloca a discussão para uma questão econômica: quem consegue transformar essa atividade em receita?

Citrini vê novos usos para ativos tokenizados. Entenda por que emissores, plataformas e redes disputam as receitas e por que adoção não garante valorização.

A Citrini Research apresentou uma tese sobre a transferência de ativos financeiros para blockchains em seu relatório Breaking the Wall, segundo reportagem da CoinDesk publicada em 17 de outubro de 2026. Para a casa de pesquisa, esse movimento pode ampliar a utilidade da infraestrutura cripto. A questão econômica é onde ficará a receita: com emissores, plataformas de negociação, serviços de crédito ou redes que processam as operações.

O ativo precisa fazer mais que mudar de registro

Tokenizar significa representar um ativo, como um título ou uma cota de fundo, em um registro compartilhado entre participantes de uma rede. Na tese da Citrini, o ganho relevante está no uso integrado desses ativos: eles poderiam circular entre aplicações, servir de garantia e integrar produtos financeiros sem que cada plataforma reconstrua toda a estrutura de guarda e conclusão das operações.

O mecanismo importa porque registrar um ativo e gerar negócios com ele são etapas diferentes. A emissão pode render uma tarifa; negociações posteriores e empréstimos podem produzir outras receitas. Esses pagamentos não precisam chegar ao mesmo participante. Uma plataforma com acesso aos clientes pode capturar parte do negócio mesmo sem operar a rede em que o ativo está registrado.

Concorrência pode deslocar o valor para os serviços

Jeff Dorman, diretor de investimentos da Arca, disse à CoinDesk esperar que a concorrência torne o processo de tokenização mais padronizado e menos diferenciado. Na avaliação dele, a atividade posterior à emissão tende a concentrar oportunidades mais duradouras, quando os ativos passam a ser negociados, emprestados ou usados como garantia. Trata-se de uma expectativa, não de um resultado demonstrado pela reportagem.

Christian Magoon, presidente da Amplify ETFs, destacou tanto fornecedores de infraestrutura quanto empresas que já mantêm relacionamento com clientes. Zach Pandl, chefe de pesquisa de ativos digitais da Grayscale, enfatizou as redes que hospedam os ativos e processam transações. As leituras apontam posições distintas na cadeia de receitas, sem estabelecer um vencedor comprovado.

Para quem acompanha criptoativos no Brasil, a distinção central é entre adoção da tecnologia e retorno econômico de um participante específico. Mais ativos registrados não garantem valorização do token da rede. Se a concorrência reduzir a remuneração pela emissão, a vantagem poderá ficar com quem conseguir transformar esses ativos em serviços usados e pagos pelos clientes.

🪙 Número do Dia

:

Por que isso importa

A tokenização pode ampliar o uso financeiro das blockchains, mas as receitas podem se distribuir entre emissores, plataformas e redes. A adoção da tecnologia não demonstra, por si só, valorização de um criptoativo.


Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/10/17/citrini-sees-a-tokenization-boom-the-harder-question-is-who-profits