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sexta-feira, 23 de outubro de 2026 Brasil

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Bitcoin no aquecedor: calor útil não garante retorno

A Heatbit anunciou em 22 de outubro o Bitwater, componente para aquecedores elétricos que usa chips de mineração de Bitcoin para esquentar água. Segundo a Decrypt, o primeiro lote está em pré-venda por US$ 899, com entregas previstas para o primeiro trimestre de 2027.

Heatbit anuncia aquecedor que minera Bitcoin por US$ 899. Reaproveitar o calor pode melhorar a conta, mas retorno depende do uso e dos custos de operação.

A Heatbit anunciou em 22 de outubro o Bitwater, componente que substitui a resistência de aquecedores elétricos por 20 chips de mineração de Bitcoin. Segundo a Decrypt, o primeiro lote está em pré-venda por US$ 899, com pedidos reembolsáveis e entregas previstas para o primeiro trimestre de 2027. Lotes posteriores poderão custar até US$ 1.299.

A proposta é aproveitar o calor gerado pelos cálculos que participam da operação da rede Bitcoin. Em vez de dissipá-lo no ambiente, o equipamento transfere esse calor para a água. A Heatbit afirma que utiliza a mesma eletricidade que seria consumida no aquecimento convencional. O argumento econômico é dar dois usos ao gasto energético, não eliminar esse gasto.

Menor potência, aquecimento mais lento

Segundo as especificações divulgadas, o Bitwater consome até 600 watts, ante os 4.500 watts das resistências comuns em tanques americanos citadas pela reportagem. Isso não significa redução proporcional na conta: menor potência vem acompanhada de funcionamento mais longo. A empresa explica que a água esquenta mais devagar e que a resistência superior já existente no tanque atende aos picos de demanda.

A capacidade anunciada chega a 34 terahashes por segundo, medida da quantidade de cálculos realizados na mineração. Um aplicativo permite acompanhar temperatura, atividade e receitas. O usuário pode minerar sozinho ou participar de um grupo que reúne capacidade computacional e divide recompensas. Os bitcoins obtidos vão para um endereço controlado pelo usuário, segundo a descrição do produto.

O retorno depende do calor necessário

A Decrypt estima receita bruta próxima de US$ 1,25 por dia, considerando operação contínua na capacidade máxima e as condições de mineração usadas na reportagem de 23 de outubro. Essa estimativa não representa lucro nem rendimento garantido: preço do Bitcoin, dificuldade da rede e tempo efetivo de funcionamento alteram o resultado, além do custo inicial do equipamento.

A compatibilidade anunciada abrange determinados tanques elétricos nos Estados Unidos e no Canadá, não instalações brasileiras. Para quem acompanha o setor no Brasil, a questão é econômica: reaproveitar calor pode melhorar a conta quando ele substitui um aquecimento necessário. Se o equipamento funcionar apenas para gerar bitcoins, sem demanda pela água quente, desaparece a vantagem central apresentada pela Heatbit.

🪙 Número do Dia

US$ 899 : Preço de pré-venda do primeiro lote do Bitwater, com entregas previstas para o primeiro trimestre de 2027.

Por que isso importa

O produto tenta transformar o calor da mineração em serviço doméstico útil. A viabilidade depende de substituir um gasto real com aquecimento, além de compensar o custo do equipamento.


Fonte original: https://decrypt.co/381665/heatbits-899-water-heater-element-mines-bitcoin-while-it-heats-your-tank