Um modelo de pesquisa da Anthropic levou menos de 30 minutos para rastrear cinco números de origem desconhecida fornecidos pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA). Segundo a CoinDesk, em reportagem de 17 de outubro, o Claude vinculou esses números a um programa comum de geração de números pseudoaleatórios, alimentado com registros de data e hora de 1997 e 1998.
A origem dos números era a dúvida
Os números serviram como pontos de partida para construir curvas elípticas, estruturas matemáticas usadas para proteger informações e comprovar o controle de chaves secretas. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) adotou essas curvas em 2000. A falta de explicação sobre a escolha alimentou suspeitas de que a NSA pudesse ter selecionado parâmetros com uma fraqueza conhecida apenas por ela.
O modelo reconstruiu a sequência produzida pelo programa lrand48 e encontrou correspondência exata com os números publicados. Segundo a Anthropic, isso torna menos provável a hipótese de uma vulnerabilidade deliberadamente escondida. Não equivale a uma prova completa: a equipe ainda não explica por que alguns candidatos utilizáveis foram descartados nem como outros elementos das curvas foram escolhidos.
Parâmetro público não é chave secreta
A distinção tem efeito prático. Esses números eram públicos, não senhas de carteiras. Sua reprodução permite conferir o caminho até os parâmetros adotados. Já uma chave secreta gerada por um programa previsível poderia ser reconstruída por terceiros, comprometendo os ativos controlados por ela. Por isso, descobrir a origem de um parâmetro público não significa ter encontrado uma forma de acessar fundos.
O Bitcoin usa outra curva, chamada secp256k1, cuja construção tem menos parâmetros ajustáveis. Ele não integrava o conjunto investigado. Para quem acompanha criptoativos no Brasil, a consequência é distinguir uma descoberta sobre padrões específicos de uma mudança na segurança de toda a infraestrutura: resolver esse enigma não representa uma correção nem uma quebra das carteiras de Bitcoin.
A Anthropic afirma que usuários das curvas do NIST não precisam fazer alterações. No Bitcoin, permanece separado o risco de computadores quânticos suficientemente poderosos conseguirem derivar uma chave secreta de uma chave pública. Segundo a CoinDesk, ainda não existe uma máquina capaz desse ataque. Esclarecer a escolha dos parâmetros não elimina uma ameaça baseada em outro mecanismo matemático.
🪙 Número do Dia
Menos de 30 minutos : Tempo que o modelo levou para rastrear cinco números usados nas curvas do NIST, segundo a CoinDesk em 17 de outubro de 2026.
Por que isso importa
A descoberta permite verificar a origem de parâmetros de segurança e reduz uma suspeita antiga, segundo a Anthropic. Não representa uma mudança na proteção do Bitcoin nem uma solução para o risco quântico.
Fonte original: https://www.coindesk.com/tech/2026/10/17/wow-it-s-a-real-discovery-claude-cracks-a-25-year-nsa-number-mystery
