O chip quântico Willow, do Google, produziu estados necessários a cálculos avançados com cerca de 40 vezes menos erros, segundo reportagem da CoinDesk publicada em 17 de outubro. O resultado trata de uma etapa de preparação que consome recursos dessas máquinas. Não demonstra uma capacidade atual de quebrar a proteção do Bitcoin.
Preparar o cálculo também custa
Computadores quânticos usam unidades de informação chamadas qubits, sensíveis a perturbações que provocam erros. Para executar certas operações, precisam de estados especialmente preparados, conhecidos como “estados mágicos”. Eles são consumidos durante os cálculos e precisam ser repostos. Portanto, parte do equipamento trabalha para abastecer a própria computação, em vez de executar diretamente o cálculo desejado.
O método do Google prepara esses estados, procura erros e descarta tentativas defeituosas. A empresa relatou fidelidade de aproximadamente 99,99%, medida de quanto o resultado se aproxima do estado pretendido. Mas apenas cerca de 8% das tentativas passaram pelas verificações. A qualidade informada corresponde aos estados aprovados, não ao conjunto de tentativas. Os pesquisadores ainda precisam ampliar a escala e integrar a produção a cálculos mais longos.
Por que chaves antigas entram no debate
No Bitcoin, a chave privada autoriza movimentações, enquanto a chave pública permite verificar essas autorizações. Um computador quântico suficientemente poderoso poderia, em teoria, usar a chave pública para descobrir a privada. Isso permitiria assinar transações como se fosse o proprietário. O experimento com Willow não demonstrou essa capacidade.
Segundo a CoinDesk, algumas das reservas mais antigas de bitcoin têm chaves públicas expostas desde a mineração. Isso daria a um eventual atacante mais tempo para trabalhar do que nos formatos que escondem essa informação até o gasto. A exposição da chave pública, e não apenas a idade das moedas, define essa diferença. Se as chaves privadas estiverem perdidas, o proprietário também não consegue transferir os ativos para uma proteção mais forte.
O ganho não se multiplica automaticamente
A reportagem ressalta que uma estimativa anterior do Google sobre ataques já pressupunha produção eficiente desses estados. Assim, reduzir erros em 40 vezes não torna o ataque 40 vezes mais barato. O experimento testa parte da engenharia prevista, sem oferecer uma redução equivalente do custo total.
Para quem acompanha Bitcoin, o avanço torna mais concreto um componente do risco, sem demonstrar uma ameaça operacional imediata. O efeito sobre a segurança depende da integração em escala: preparar estados confiáveis só se traduziria em capacidade de ataque se máquinas futuras também conseguissem produzi-los continuamente e executar os cálculos necessários.
🪙 Número do Dia
8% : Parcela aproximada das tentativas de preparação de estados quânticos que passaram pelas verificações no experimento com Willow, segundo o Google, conforme a CoinDesk.
Por que isso importa
O experimento avança em uma etapa necessária à computação quântica, mas não demonstra capacidade de atacar Bitcoin. A distinção ajuda a avaliar o risco sem confundir um ganho de laboratório com a quebra efetiva da proteção das chaves.
Fonte original: https://www.coindesk.com/tech/2026/10/16/satoshi-era-bitcoin-faces-a-bigger-quantum-threat-after-google-s-new-willow-breakthrough
