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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Balança melhora, mas conta externa piora em agosto

O Banco Central informou nesta segunda-feira (28) que o déficit em transações correntes do Brasil somou US$ 5,1 bilhões em agosto de 2026, acima dos US$ 3,8 bilhões registrados no mesmo mês de 2025, apesar de uma balança comercial mais forte.

Déficit em transações correntes soma US$ 5,1 bilhões em agosto de 2026. Balança comercial melhora, mas serviços e remessas de lucros pesam nas contas externas.

O dado divulgado pelo Banco Central e reportado pela Agência Brasil traz uma combinação pouco intuitiva: o Brasil vendeu mais bens ao exterior do que comprou, com folga maior do que um ano antes, e ainda assim viu suas contas externas piorarem.

O que os números dizem

A balança comercial registrou superávit de US$ 6,6 bilhões em agosto, ante US$ 5,3 bilhões em agosto de 2025. As exportações de bens somaram US$ 33,3 bilhões, alta de 12,1% na comparação anual, e as importações, US$ 26,7 bilhões, com crescimento de 9,4%. Em 12 meses até agosto, porém, o déficit em transações correntes alcançou US$ 63 bilhões, ou 2,47% do PIB.

Por que o saldo piorou mesmo assim

As transações correntes não medem apenas mercadorias. Elas somam também serviços e a chamada renda primária, que reúne lucros, dividendos e juros pagos e recebidos. O déficit em serviços chegou a US$ 5,3 bilhões, alta de 28,2% sobre agosto de 2025, com destaque para transporte (US$ 1,5 bilhão), telecomunicações, computação e informações (US$ 1,3 bilhão), aluguel de equipamentos (US$ 1,1 bilhão) e propriedade intelectual (US$ 1 bilhão). O déficit com viagens internacionais permaneceu em US$ 1 bilhão.

Já a renda primária registrou déficit de US$ 7 bilhões, contra US$ 5,4 bilhões um ano antes, com US$ 5,9 bilhões em despesas líquidas de lucros e dividendos. Em termos simples: parte do que a economia brasileira produz pertence a acionistas estrangeiros e é remetida ao exterior. Isso não é anomalia, é a contrapartida natural de um país que recebe investimento estrangeiro.

Quem está financiando o buraco

Um déficit em conta corrente precisa ser financiado por alguém. A qualidade desse financiamento importa mais do que o tamanho do déficit. Aqui, o quadro é relativamente confortável: os investimentos diretos no país somaram ingresso líquido de US$ 7,4 bilhões em agosto e US$ 86,6 bilhões em 12 meses, equivalentes a 3,39% do PIB, acima do déficit de 2,47% do PIB. Investimento direto costuma ser capital de prazo mais longo, ligado a plantas, participações societárias e operações produtivas.

Em contrapartida, os investimentos em carteira tiveram saída líquida de US$ 5,2 bilhões no mês, com retiradas de US$ 6,5 bilhões em ações e fundos e ingressos de US$ 1,3 bilhão em títulos domésticos. É o capital mais sensível a humor e juros relativos. As reservas internacionais fecharam agosto em US$ 372,6 bilhões, US$ 2,9 bilhões acima de julho, alta atribuída pelo BC à valorização de moedas frente ao dólar e às receitas de juros das aplicações.

A revisão que ninguém viu

O BC também divulgou a revisão anual das estatísticas. O déficit de 2025 passou de US$ 66,7 bilhões para US$ 67,4 bilhões, e o acumulado de janeiro a julho de 2026 subiu de US$ 36 bilhões para US$ 38,5 bilhões. Revisões são rotina estatística, mas mudam a base de comparação de qualquer análise anterior.

📊 Número do Dia

US$ 63 bilhões — Déficit em transações correntes acumulado em 12 meses até agosto de 2026, equivalente a 2,47% do PIB, segundo o Banco Central.

Por que isso importa

Um déficit externo persistente significa que o país gasta mais com o resto do mundo do que recebe e precisa de capital estrangeiro para fechar a conta. Enquanto o investimento direto superar esse déficit, como ocorreu nos 12 meses até agosto, o financiamento tende a ser mais estável. Se a composição mudar em direção a capital de curto prazo, a economia fica mais exposta a oscilações de câmbio e de humor externo.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/deficit-nas-contas-externas-soma-us-51-bilhoes-em-agosto