A internet conquistou 38,3% da verba publicitária brasileira no primeiro trimestre de 2026, contra 31,3% da TV aberta — uma inversão inédita na história do mercado. Apenas três anos atrás, em 2023, a televisão tradicional ainda dominava com 46,3% dos investimentos, enquanto o digital tinha 33,9%. A virada se consolidou com um crescimento de 24,3% do meio digital em apenas um ano.
Para entender a dimensão: imagine que toda a verba publicitária do país é uma pizza. Pela primeira vez, a fatia da internet ficou maior que a da TV aberta — o meio que dominou a publicidade brasileira por décadas. Considerando todo o mercado, não apenas o que passa por agências, a publicidade digital movimentou R$ 42,7 bilhões em 2025, crescimento de 12,7%, segundo o Digital Adspend 2026, estudo do IAB Brasil (entidade que representa o setor de publicidade digital) com a Kantar Ibope Media.
A disputa dentro do digital
A maior parte desse dinheiro ainda vai para gigantes como Google e Meta (dona do Facebook e Instagram). Mas existe uma fatia que essas plataformas não capturam completamente: anúncios em display (banners, peças gráficas e formatos interativos) concentraram 58% da verba digital no primeiro trimestre, com R$ 1,24 bilhão. É nesse território que empresas brasileiras de tecnologia publicitária, as chamadas adtechs, vêm ganhando espaço.
A AdHow, adtech brasileira fundada em 2021, exemplifica esse movimento. A empresa vende formatos de alto impacto visual — peças que ocupam a tela inteira do usuário — para marcas como PlayStation, Amazon e Burger King, competindo com métricas de atenção real, não apenas volume de visualizações. “O anunciante não quer mais comprar volume. Ele quer saber se a pessoa viu, interagiu e lembrou da marca”, explica Pedro Vinicius, cofundador da AdHow.
A empresa foi avaliada em R$ 26 milhões em 2023 e trabalha com meta de chegar a R$ 100 milhões até 2027 — tudo financiado com receita própria, sem capital de risco. Esse modelo contrasta com o roteiro tradicional das startups brasileiras, que dependem de rodadas de investimento externo, especialmente escasso na América Latina nos últimos anos.
Comparação internacional
A título de comparação, no México — economia de tamanho similar à brasileira — a publicidade digital já representava cerca de 60% do mercado total em 2024, movimentando US$ 7,7 bilhões, segundo o IAB México. O Brasil segue trajetória parecida, mas com a particularidade de ter uma TV aberta ainda muito forte, herança de décadas de domínio das grandes emissoras nacionais.
📊 Número do Dia
R$ 42,7 bilhões , Volume movimentado pela publicidade digital no Brasil em 2025, crescimento de 12,7% e segundo maior da série histórica
Por que isso importa
Para empresas, a mudança sinaliza onde alocar orçamentos de marketing: o digital não é mais promessa, é realidade dominante. Para investidores, abre oportunidades em adtechs brasileiras que competem com soluções próprias, sem depender apenas das grandes plataformas. Para o cidadão, significa mais anúncios personalizados na navegação diária — e mais dados sendo coletados sobre seus hábitos online.


