A Índia deu início a um teste oficial de títulos públicos registrados em blockchain, tecnologia que funciona como um cartório digital aberto e auditável por qualquer pessoa. Segundo a Cointelegraph, a Securities and Exchange Board of India (SEBI, o regulador de valores mobiliários do país, equivalente à CVM no Brasil) emitiu US$ 107 milhões em títulos tokenizados na primeira fase do projeto batizado de Demat 2.0. A título de comparação, esse volume equivale a cerca de R$ 535 milhões na cotação atual, valor próximo ao patrimônio líquido de alguns fundos imobiliários de médio porte negociados na B3.
Por enquanto, o piloto é restrito a investidores institucionais e não permite negociação no mercado secundário. A SEBI informou que as próximas fases do Demat 2.0 devem incluir a abertura para investidores de varejo (pessoas físicas) e a criação de um mercado secundário, onde os títulos poderiam ser comprados e vendidos livremente, como ocorre com ações ou títulos do Tesouro Direto no Brasil. A tokenização de títulos públicos permite registro instantâneo, custos operacionais menores e maior transparência, já que todas as transações ficam gravadas em blockchain.
Para contextualizar, a tokenização de ativos tradicionais (ações, imóveis, títulos de dívida) em blockchain é uma das apostas de grandes bancos e reguladores ao redor do mundo. No Brasil, o Banco Central já sinalizou que o Drex, a futura moeda digital oficial, poderá ser usado para negociar ativos tokenizados, incluindo títulos públicos. A experiência indiana pode servir de referência para a implementação de projetos semelhantes por aqui, especialmente porque ambos os países enfrentam desafios parecidos: mercados de capitais em desenvolvimento, grande população sem acesso a investimentos sofisticados e necessidade de reduzir custos operacionais no sistema financeiro.
A SEBI não divulgou cronograma oficial para as próximas fases do piloto, mas a escolha de começar com investidores institucionais segue o padrão global de testes graduais em infraestrutura financeira crítica. A Índia, que historicamente adotou postura cautelosa em relação a criptomoedas privadas como o Bitcoin, mostra agora interesse em aplicar a tecnologia blockchain a ativos regulados pelo Estado.
📊 Número do Dia
US$ 107 milhões , Volume de títulos públicos tokenizados emitidos pela Índia na primeira fase do piloto Demat 2.0, conduzido pela SEBI.
Por que isso importa
A tokenização de títulos públicos em blockchain pode reduzir custos, aumentar a transparência e facilitar o acesso de pequenos investidores a produtos financeiros antes restritos a instituições. Para o Brasil, a experiência indiana oferece um modelo prático de como integrar blockchain à infraestrutura financeira oficial, algo que o Banco Central já estuda no contexto do Drex. Se bem-sucedido, o piloto indiano pode acelerar a adoção de ativos tokenizados regulados em mercados emergentes.


