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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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STF pressiona governo por solução para BRB

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 15 dias para que o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos se manifestem sobre o pedido do Distrito Federal para que a União garanta um empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado a salvar o Banco de Brasília (BRB).

STF dá 15 dias para governo se posicionar sobre garantias a empréstimo de R$ 6,6 bi para salvar o BRB. Entenda o impasse e o risco para os contribuintes.

O Banco de Brasília (BRB) está em situação crítica há meses, e a solução para salvá-lo virou um impasse entre o governo local e a União. Segundo O Globo, o ministro Luiz Fux determinou nesta quarta-feira (9) que o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — uma espécie de seguro dos depósitos bancários — se posicionem em 15 dias sobre o pedido do Distrito Federal. O DF quer que o STF obrigue a União a ser avalista (ou seja, garantidora) de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para resgatar o banco público.

O problema é que, se o DF não pagar o empréstimo, a conta cairia no colo do governo federal — e, portanto, de todos os contribuintes brasileiros. É como se você assinasse como fiador do aluguel de um amigo: se ele não pagar, você terá que cobrir. Por isso, o Ministério da Fazenda se recusa a dar essa garantia, argumentando que o problema é local e não deveria ser nacionalizado. O governo distrital, por sua vez, afirma que as negociações estão travadas há três meses e que o acordo homologado pelo STF em maio não avançou.

Por que os bancos não emprestam sem a União?

Bancos privados têm dúvidas sobre a segurança jurídica das garantias oferecidas pelo DF. Pelo acordo desenhado em maio, o empréstimo seria garantido pelo fluxo de recursos que o Distrito Federal recebe da União — o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que somam cerca de R$ 1,6 bilhão por ano. Esses fundos são repasses obrigatórios da União para estados e municípios, usados para financiar saúde, educação e segurança.

O temor dos bancos é que, em caso de calote, eles não consigam acessar esses recursos, já que são destinados a políticas essenciais. Além disso, o BRB ainda não divulgou seu balanço, e há dúvidas no mercado se R$ 6,6 bilhões serão suficientes para resolver o problema ou se o banco voltará a ter dificuldades em breve. A título de comparação, quando o Banco Espírito Santo entrou em colapso em Portugal, em 2014, o rombo inicial estimado também foi subestimado, e o custo final para o sistema financeiro ultrapassou as projeções.

O que acontece agora?

Com o prazo de 15 dias, a pressão sobre o governo federal aumenta. O STF já sinalizou que não pode obrigar bancos privados a emprestar, mas pode determinar que a União cumpra o acordo de maio. A governadora do DF, Celina Leão (PP), havia solicitado reunião com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, em agosto, mas o pedido foi recusado. Agora, a bola está com Fux — e a decisão pode definir quem pagará a conta de um banco público em crise.

📊 Número do Dia

R$ 6,6 bilhões , Valor do empréstimo necessário para salvar o Banco de Brasília, equivalente a mais de quatro vezes o orçamento anual de saúde do Distrito Federal

Por que isso importa

Se a União for obrigada a garantir o empréstimo, o risco de calote do DF será transferido para todos os contribuintes brasileiros. Para o mercado financeiro, a decisão pode criar um precedente perigoso: bancos públicos estaduais em dificuldade poderiam pressionar por socorro federal, aumentando o risco fiscal do país. Para o cidadão do DF, a crise do BRB já afeta o acesso a crédito e pode comprometer serviços públicos, caso os recursos dos fundos federais sejam comprometidos.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/09/09/fux-da-15-dias-para-governo-bc-e-fgc-se-manifestarem-sobre-pedido-do-df-por-garantias-a-emprestimo-para-salvar-brb.ghtml