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domingo, 23 de agosto de 2026 Brasil

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EUA sancionam duas exchanges iranianas de criptomoedas

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (7) sanções contra duas exchanges de criptomoedas iranianas, Shelbit e Aban Tether, segundo reportou a CoinDesk. A medida amplia o cerco de Washington ao uso de ativos digitais pelo governo de Teerã para contornar restrições financeiras internacionais.

EUA sancionam exchanges iranianas Shelbit e Aban Tether para cortar acesso do Irã a criptomoedas. Entenda o impacto para investidores brasileiros.

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), órgão do Tesouro americano responsável por aplicar sanções econômicas, incluiu as plataformas Shelbit e Aban Tether em sua lista de entidades bloqueadas. Na prática, isso significa que qualquer pessoa ou empresa sob jurisdição dos EUA fica proibida de fazer negócios com essas exchanges. Exchanges são plataformas digitais onde usuários compram, vendem e trocam criptomoedas, funcionando como uma corretora de valores, mas para ativos digitais.

A ação faz parte de um esforço contínuo do governo americano para cortar o acesso do Irã a criptomoedas e moeda estrangeira. Segundo a CoinDesk, Washington vê nesses ativos digitais uma porta de escape que permite ao regime iraniano driblar sanções tradicionais impostas ao sistema bancário do país. Historicamente, regimes sob sanções internacionais têm buscado em criptomoedas uma alternativa para movimentar recursos sem passar por bancos convencionais, que podem ser monitorados e bloqueados por governos estrangeiros.

Para contextualizar a escala do problema, o Irã é um dos países com maior atividade de mineração de Bitcoin no mundo (mineração é o processo computacional que valida transações e cria novas moedas). Autoridades americanas estimam que o país usa parte dessa capacidade para gerar receita em criptomoedas, contornando o isolamento financeiro imposto por sanções. A título de comparação, seria como se uma empresa brasileira sob embargo conseguisse vender seus produtos no exterior recebendo pagamento em Bitcoin, sem passar pelo sistema bancário tradicional.

Segundo conhecimento de mercado, exchanges localizadas em países sob sanções costumam operar com menor supervisão regulatória, o que facilita transações que seriam bloqueadas em plataformas globais como Binance ou Coinbase. A Aban Tether, como o nome sugere, provavelmente opera com foco em Tether (USDT), uma stablecoin (moeda digital atrelada ao dólar que mantém valor estável) amplamente usada para movimentar recursos entre países.

O ângulo brasileiro

Para o investidor brasileiro, o episódio reforça a importância de operar apenas em exchanges reguladas e transparentes. No Brasil, plataformas como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso seguem regras da Receita Federal e do Banco Central, reportando transações acima de determinados valores. Usar exchanges em países sob sanções ou sem regulação clara expõe o usuário a risco de ter fundos bloqueados ou contas encerradas sem aviso, além de possíveis implicações legais. A título de comparação, seria como abrir conta em banco de paraíso fiscal sem entender as consequências tributárias e jurídicas.

Além disso, o caso ilustra como criptomoedas continuam no centro de disputas geopolíticas. Conforme dados públicos, o Brasil tem avançado em sua própria regulação do setor: desde 2023, exchanges operam sob supervisão direta do Banco Central, e o país desenvolve o Drex, sua moeda digital oficial. Episódios como este reforçam a necessidade de marcos regulatórios claros, que protejam investidores sem sufocar a inovação.

📊 Número do Dia

2 exchanges , Número de plataformas iranianas de criptomoedas sancionadas pelos EUA nesta rodada, ampliando cerco ao uso de ativos digitais pelo Irã.

Por que isso importa

O caso mostra como criptomoedas seguem sendo usadas para contornar sanções internacionais, o que alimenta pressão regulatória global. Para o investidor brasileiro, é um lembrete de que operar em exchanges não reguladas traz riscos concretos: fundos podem ser bloqueados, contas encerradas e há exposição legal. A medida também reforça a tendência de governos exigirem maior controle sobre plataformas cripto, movimento que já chegou ao Brasil com a supervisão do Banco Central sobre exchanges desde 2023.


Fonte original: https://www.coindesk.com/policy/2026/08/07/u-s-widens-iran-crypto-crackdown-with-sanctions-on-two-exchanges