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segunda-feira, 17 de agosto de 2026 Brasil

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Petróleo brasileiro conquista Ásia com guerra e tarifas

As exportações brasileiras de petróleo para a Ásia cresceram de forma expressiva no primeiro semestre de 2026, com a Indonésia aumentando suas compras em 157% e a Índia em 132%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Exportações de petróleo brasileiro para Ásia mais que dobram com guerra no Irã e tarifas americanas. Indonésia aumenta compras em 157% e Índia em 132%.

O petróleo brasileiro está conquistando novos mercados na Ásia em ritmo acelerado. Enquanto as exportações totais de petróleo cru do Brasil cresceram 11,4% no primeiro semestre de 2026, chegando a 51,1 milhões de toneladas, quatro países asiáticos aumentaram suas compras de forma muito mais expressiva. A Indonésia liderou o movimento, com alta de 157% nas importações do óleo brasileiro, seguida pela Índia, com avanço de 132%, segundo dados do Mdic.

A China, maior parceiro comercial do Brasil, também ampliou suas compras em 41%, alcançando 27,9 milhões de toneladas — o equivalente a 54% de todo o petróleo produzido aqui e enviado ao exterior. Juntos, Indonésia, Índia, China e Cingapura compraram US$ 18,7 bilhões em petróleo brasileiro no semestre, contra US$ 10,88 bilhões no mesmo período de 2025, um salto de 72%. Esse aumento reflete tanto o maior volume exportado quanto a elevação no preço da commodity (o produto básico negociado globalmente, como petróleo, soja ou minério).

Por que a Ásia está comprando mais petróleo brasileiro

Dois fatores principais explicam essa mudança nas rotas comerciais: o conflito no Golfo Pérsico e as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Cerca de 40% do petróleo consumido pelos países asiáticos vinha da região do Golfo Pérsico, mas a guerra no Irã interrompeu parte desse fornecimento. Imagine que você comprava pão sempre na mesma padaria e ela fechou — você precisa encontrar outro fornecedor rapidamente. Foi isso que aconteceu com países como Indonésia e Índia.

As tarifas do presidente americano Donald Trump também contribuíram para esse movimento. Os Estados Unidos, que eram o segundo maior comprador de petróleo brasileiro no primeiro semestre de 2025, reduziram suas importações em 42,8% neste ano. Segundo Bruno Cordeiro, analista da StoneX, as incertezas regulatórias criadas pelas tarifas americanas levaram os exportadores brasileiros a buscar contratos mais previsíveis na Ásia e na Europa.

A produção brasileira também está em expansão. Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram que o Brasil produziu 5,6 milhões de barris por dia em maio de 2026, contra 4,7 milhões um ano antes. Com mais petróleo disponível e a demanda asiática crescendo — a Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que a Ásia consumirá 40,7 milhões de barris por dia em 2030, ante 38,9 milhões em 2025 —, o Brasil está bem posicionado para aproveitar essa oportunidade.

Comparação internacional: Brasil ganha espaço

Para contextualizar, a título de comparação, a Arábia Saudita historicamente domina o fornecimento de petróleo para a Ásia, mas o Brasil está conquistando fatias desse mercado justamente pela diversificação que os compradores buscam. Países como Mianmar, que não registravam compras de petróleo brasileiro neste século, importaram 600 mil toneladas em 2026. As Filipinas, que estavam desde 2020 sem adquirir óleo brasileiro, voltaram a comprar 72 mil toneladas.

A Europa também aumentou suas importações. A França quase triplicou suas compras, com alta de 180%, chegando a 1,09 milhão de toneladas. A Itália elevou suas importações em quase 50%, para 930 mil toneladas. Segundo Pedro Rodrigues, da consultoria CBIE, esse crescimento reflete tanto a expansão da produção nacional quanto a busca global por maior diversificação de fornecedores.

No primeiro semestre, o petróleo cru foi o segundo item mais exportado pelo Brasil em valor, totalizando US$ 15,1 bilhões, ficando atrás apenas da soja, com US$ 20,2 bilhões. O valor total exportado do óleo cru saltou de US$ 21,6 bilhões para US$ 27,9 bilhões, alta de 28%, impulsionada pelo aumento no preço do barril.

📊 Número do Dia

157% , Aumento nas compras de petróleo brasileiro pela Indonésia no primeiro semestre de 2026

Por que isso importa

Para o Brasil, esse movimento representa uma oportunidade de diversificar seus compradores e reduzir a dependência de poucos mercados, tornando as exportações mais resilientes a crises regionais. Para as empresas do setor, significa contratos mais estáveis e previsíveis, especialmente diante das incertezas regulatórias nos Estados Unidos. Para o cidadão, o aumento das exportações de petróleo contribui diretamente para o superávit comercial do país — em junho, a balança comercial registrou superávit recorde de US$ 8,8 bilhões, segundo a economista Iana Ferrão, do BTG Pactual. Mais dólares entrando no país ajudam a fortalecer o real e a financiar importações essenciais.


Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/08/exportacao-de-petroleo-do-brasil-para-a-asia-mais-do-que-dobra-com-guerra-no-ira-e-tarifas-americanas.ghtml