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segunda-feira, 17 de agosto de 2026 Brasil

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Banco da Itália questiona vantagem de stablecoins em remessas

Pesquisadores do Banco da Itália concluíram que stablecoins (criptomoedas atreladas a moedas tradicionais, como o dólar) não apresentam vantagem consistente de custo em remessas internacionais quando comparadas aos métodos tradicionais.

Estudo do Banco da Itália mostra que custos de conversão, não blockchain, definem preço de remessas com stablecoins. Entenda o impacto para o Brasil e o Drex.

O Banco da Itália publicou estudo em 31 de julho de 2025 que desafia uma das principais promessas do mercado cripto: a de que stablecoins tornariam remessas internacionais mais baratas e rápidas. Segundo a Cointelegraph, os pesquisadores descobriram que os custos de conversão entre moedas fiduciárias (reais, dólares, euros) e a infraestrutura de pagamento tradicional, e não as taxas da blockchain (a tecnologia de registro público que sustenta as criptomoedas), respondem pela maior parte das diferenças nos custos e tempos de liquidação das remessas feitas com stablecoins.

Para contextualizar: stablecoins são criptomoedas projetadas para manter valor estável, geralmente atreladas ao dólar. A promessa de mercado era que, ao eliminar intermediários bancários, essas moedas digitais reduziriam custos de envio de dinheiro entre países. O estudo italiano, porém, mostra que o gargalo não está na tecnologia blockchain em si, mas nas pontas do processo: converter real em stablecoin, transferir pela rede e reconverter em moeda local no destino. Essas etapas ainda dependem de infraestrutura bancária tradicional e de taxas de câmbio, que variam conforme o país e o provedor.

Segundo conhecimento de mercado, o Brasil é um dos maiores receptores de remessas da América Latina, com fluxo anual superior a US$ 5 bilhões (dados do Banco Mundial). Para o investidor ou usuário brasileiro, o estudo reforça que a escolha do canal de remessa deve considerar não apenas a tecnologia usada, mas principalmente as taxas de conversão e a infraestrutura local de entrada e saída. Plataformas que operam com stablecoins no Brasil, como algumas corretoras cripto, ainda cobram spreads (diferença entre preço de compra e venda) que podem anular a economia prometida pela blockchain.

A título de comparação, enviar R$ 1.000 por transferência bancária internacional tradicional pode custar entre 1% e 3% em taxas, dependendo do banco. Usar stablecoins pode reduzir a taxa da blockchain para centavos de dólar, mas se a conversão real/stablecoin custar 2% na entrada e 2% na saída, o custo total pode superar o método tradicional. O estudo do Banco da Itália sugere que, até que a infraestrutura de conversão amadureça, stablecoins não são automaticamente mais baratas para remessas.

Impacto para regulação e Drex

O achado italiano ganha relevância no contexto do Drex, a moeda digital do Banco Central do Brasil, que está em fase piloto. Diferentemente de stablecoins privadas, o Drex seria emitido diretamente pelo BC e poderia, em tese, eliminar parte dos custos de conversão ao operar dentro do sistema financeiro nacional. Segundo dados públicos do Banco Central, o Drex pretende facilitar pagamentos programáveis e reduzir fricções em transações financeiras, mas ainda não há cronograma definitivo de lançamento para o público geral.

Para o ecossistema cripto brasileiro, o estudo serve de alerta: a tecnologia blockchain resolve apenas parte do problema de custos em remessas. A infraestrutura de entrada e saída, regulação local e liquidez das stablecoins em reais continuam sendo os fatores determinantes para viabilidade econômica. Historicamente, inovações financeiras que prometem custos menores só se consolidam quando toda a cadeia de valor se adapta, não apenas a camada tecnológica.

📊 Número do Dia

Maior parte dos custos , Conversão entre moedas fiduciárias e infraestrutura tradicional, não taxas de blockchain, respondem pela maior parte dos custos em remessas com stablecoins, segundo Banco da Itália.

Por que isso importa

O estudo desafia a narrativa de que stablecoins são automaticamente mais baratas para remessas internacionais. Para o investidor brasileiro, isso significa que a escolha do canal de envio de dinheiro ao exterior deve considerar não só a tecnologia, mas principalmente as taxas de conversão e a infraestrutura local. Para o Banco Central, reforça a importância de desenhar o Drex de forma a reduzir fricções em toda a cadeia, não apenas na camada de registro.


Fonte original: https://cointelegraph.com/news/bank-of-italy-study-no-stablecoin-remittance-cost-advantages?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound