Pular para o conteúdo
terça-feira, 18 de agosto de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

B3 aceita fundos imobiliários como garantia em operações

A B3 passou a aceitar, em junho, cotas de Fundos Imobiliários (FIIs) como garantia em operações que exigem margem de risco, como derivativos e operações estruturadas. Inicialmente, 28 fundos estarão habilitados para essa finalidade.

B3 passa a aceitar 28 fundos imobiliários como garantia em operações com margem de risco, aproximando Brasil de práticas internacionais e ampliando liquidez do setor.

A bolsa brasileira deu um passo importante para aproximar o mercado de fundos imobiliários das práticas internacionais. A partir deste mês, investidores podem usar cotas de FIIs — fundos que reúnem recursos de várias pessoas para investir em imóveis e distribuir os aluguéis como dividendos — como garantia em operações financeiras mais complexas, sem precisar vendê-las. É como usar o título de um imóvel como garantia de um empréstimo, mas mantendo o direito de receber os aluguéis.

Na prática, isso funciona assim: quando um investidor opera com derivativos (contratos que apostam na variação futura de preços) ou faz operações estruturadas, a bolsa exige uma garantia para cobrir eventuais perdas — a chamada margem de risco. Até agora, essa garantia precisava ser dada em dinheiro ou outros ativos já aceitos. Agora, 28 FIIs podem ser usados para essa finalidade, desde que atendam critérios mínimos de liquidez (facilidade de compra e venda) e volume de negociação.

Aproximação com mercados maduros

A mudança aproxima o Brasil de mercados como o americano, onde os REITs (equivalentes aos FIIs) já são amplamente aceitos como garantia em operações financeiras há anos. Nos Estados Unidos, segundo dados públicos da Securities and Exchange Commission (SEC), os REITs movimentam mais de US$ 1 trilhão e são tratados como ativos de alta liquidez por investidores institucionais — fundos de pensão, seguradoras e gestoras de grande porte.

Para Christiano Moreira, sócio-diretor da Devant Asset, a decisão da B3 amplia a utilidade econômica dos FIIs. “Quando um ativo passa a ser aceito como garantia, ele ganha maior importância dentro da estrutura do mercado financeiro. Isso favorece o aumento da liquidez e o desenvolvimento da indústria de FIIs no longo prazo”, afirma o gestor, segundo reportagem do O Globo.

Impacto para investidores institucionais

A expectativa é que a novidade estimule estratégias mais sofisticadas de alocação de patrimônio, especialmente entre investidores profissionais. Com a nova regra, gestores podem manter suas posições em FIIs — e continuar recebendo os rendimentos mensais — enquanto usam essas cotas como garantia para outras operações. É como ter um imóvel alugado e, ao mesmo tempo, usá-lo como garantia para investir em outro negócio, sem perder o aluguel.

A B3 agora conta com 21 categorias de ativos aceitos como garantia em operações com contraparte central (quando a bolsa atua como intermediária, reduzindo o risco de calote). A inclusão dos FIIs amplia o leque de opções para investidores que buscam eficiência na gestão de capital, sem precisar desfazer posições estratégicas.

📊 Número do Dia

28 FIIs , Número de fundos imobiliários inicialmente habilitados pela B3 para uso como garantia em operações com margem de risco

Por que isso importa

Para o investidor institucional, a mudança permite maior flexibilidade operacional e eficiência no uso do capital, mantendo a exposição ao setor imobiliário enquanto opera em outros mercados. Para o cidadão que investe em FIIs, a medida pode aumentar a liquidez e a relevância desses fundos no mercado, potencialmente atraindo mais recursos e valorizando as cotas no longo prazo. Para o mercado brasileiro, representa um amadurecimento institucional que aproxima o país de práticas já consolidadas em economias desenvolvidas.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/06/23/b3-passa-a-aceitar-fiis-como-garantia-em-operacoes-1.ghtml