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terça-feira, 18 de agosto de 2026 Brasil

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Uso de IA em empresas brasileiras salta de 17% para 42%

O percentual de empresas industriais brasileiras que utilizam inteligência artificial (IA) saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, segundo dados do IBGE. Entre médias e grandes empresas, a adoção já atinge 63% em 2025, conforme levantamento do FGV IBRE.

Uso de IA em empresas industriais brasileiras salta de 16,9% para 41,9% em dois anos. Integração com sistemas de gestão é a próxima fronteira tecnológica.

A inteligência artificial deixou de ser novidade e virou ferramenta de trabalho nas empresas brasileiras. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o percentual de empresas industriais que utilizam IA (tecnologia que permite a máquinas aprenderem com dados e tomarem decisões) passou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024 — um salto de quase 150% em apenas dois anos. Entre médias e grandes empresas, o número é ainda mais expressivo: 63% já adotam a tecnologia em 2025, segundo dados do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia).

Esse crescimento acelerado coloca o Brasil em ritmo semelhante ao de outros mercados emergentes. A título de comparação, países como México e Índia também registraram expansão significativa no uso corporativo de IA nos últimos anos, embora ainda fiquem atrás de economias desenvolvidas como Estados Unidos e Reino Unido, onde a adoção supera 70% das grandes empresas. O avanço brasileiro reflete tanto a queda nos custos da tecnologia quanto a pressão por ganhos de produtividade em um ambiente econômico desafiador.

Apesar do crescimento, a aplicação da IA ainda é superficial na maioria dos casos. Apenas 17% das organizações brasileiras utilizam soluções personalizadas de IA voltadas ao core business (as atividades centrais do negócio), segundo o estudo “Panorama IA nas empresas brasileiras”. A maior parte das empresas usa a tecnologia para tarefas genéricas, como chatbots de atendimento ou automação simples de processos administrativos.

A integração entre IA e ERP (Enterprise Resource Planning, ou sistema de gestão empresarial que centraliza informações de diferentes áreas da empresa) surge como próxima fronteira. Segundo Marcelo Cosentino, vice-presidente de Negócios para Segmentos na TOTVS, essa combinação permite “extrair informações mais qualitativas e dinâmicas em cima de dados estáticos”. Na prática, funciona como ter um analista trabalhando 24 horas por dia: a IA lê grandes volumes de informação do sistema de gestão e gera alertas, previsões e relatórios automaticamente.

Um exemplo concreto: na gestão de estoque, a IA integrada ao ERP pode analisar padrões de venda, sazonalidade e prazos de fornecedores para prever quando um produto vai faltar — e sugerir a melhor hora de comprar, considerando preço e prazo de entrega. É como transformar o sistema de gestão de uma planilha passiva em um assistente que antecipa problemas e oportunidades.

O que muda para as empresas

A adoção de IA integrada a sistemas de gestão pode representar ganho competitivo significativo, especialmente para médias empresas que competem com grandes players. Quem consegue prever rupturas de estoque, reduzir desperdícios e tomar decisões baseadas em dados em tempo real ganha margem de manobra em mercados apertados. Para o cidadão, o impacto tende a aparecer de forma indireta: empresas mais eficientes podem oferecer preços melhores e evitar desabastecimentos.

A tendência é de expansão contínua. Com a pressão por produtividade e a democratização do acesso à tecnologia, a expectativa é que a integração entre IA e sistemas de gestão se torne padrão nos próximos anos, deixando de ser diferencial para virar requisito básico de competitividade.

📊 Número do Dia

41,9% , Percentual de empresas industriais brasileiras que utilizam inteligência artificial em 2024, mais que o dobro dos 16,9% registrados em 2022

Por que isso importa

O salto na adoção de IA pelas empresas brasileiras sinaliza uma transformação estrutural na forma como negócios operam no país. Para empresas, dominar essa tecnologia deixa de ser opcional e passa a ser questão de sobrevivência competitiva. Para investidores, o movimento indica oportunidades em fornecedores de tecnologia e riscos para companhias que ficarem para trás. Para o cidadão, o impacto virá na forma de serviços mais eficientes e, potencialmente, preços mais competitivos conforme empresas reduzem desperdícios e ganham produtividade.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2026/06/19/uso-de-ia-dobra-em-empresas-brasileiras-e-impulsiona-o-erp-1.ghtml