O Senado brasileiro aprovou nesta quarta-feira (17) o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), bloco formado por quatro países ricos da Europa: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Segundo informações do Extra, o texto já havia passado pela Câmara dos Deputados na semana anterior e agora segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
A EFTA é um grupo comercial criado em 1960 que reúne países europeus que não fazem parte da União Europeia. Juntos, esses quatro países somam 15 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de tudo que uma economia produz em um ano) de US$ 1,4 trilhão — o que representa uma das maiores rendas por pessoa do mundo. Para comparação, a título de contexto, a Suíça sozinha possui um PIB per capita superior a US$ 90 mil, enquanto o Brasil está na faixa de US$ 10 mil por habitante.
O acordo, assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025, funciona como um grande pacote de facilitação comercial. Ele prevê a eliminação de tarifas de importação (os impostos cobrados quando um produto entra no país) em aproximadamente 97% das transações do Brasil com a EFTA, com redução gradual em outros 1,2%. É como se quase todas as mercadorias brasileiras pudessem entrar nesses países sem pagar pedágio na fronteira.
Do lado europeu, a abertura é ainda mais ampla. Os países da EFTA eliminarão 100% das tarifas de importação nos setores industrial e pesqueiro assim que o acordo entrar em vigor. Segundo o Extra, considerando agricultura e indústria juntas, o acesso em livre comércio de produtos brasileiros chegará a quase 99% do valor exportado. Produtos agrícolas como carne bovina, carne de aves, milho, farinha de milho, mel e óleos vegetais poderão entrar por meio de quotas (quantidades específicas com tarifa reduzida ou zero) oferecidas principalmente por Suíça, Liechtenstein e Noruega.
O tratado abrange 16 capítulos que vão além da simples redução de impostos: incluem regras sobre barreiras técnicas (exigências de qualidade e segurança), medidas sanitárias (controle de doenças em alimentos), serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais e solução de disputas. Produtos como laticínios, chocolates e fórmulas infantis — áreas sensíveis para a Suíça — foram incluídos sob a forma de quotas tarifárias, ou seja, quantidades limitadas com benefícios fiscais.
Comparação internacional
O acordo com a EFTA é significativamente menor em escala do que o tratado Mercosul-União Europeia, ainda em negociação. Enquanto a União Europeia representa um mercado de 450 milhões de consumidores, a EFTA soma apenas 15 milhões — mas com poder de compra proporcionalmente muito maior. A título de comparação, a Suíça e a Noruega estão entre os países com maior renda per capita do mundo, o que torna seus mercados atrativos para produtos de maior valor agregado.
Outros países latino-americanos, como Chile e Peru, já possuem acordos comerciais com a EFTA há mais de uma década, o que lhes conferiu vantagem competitiva em setores como frutas, vinhos e produtos do mar. O Brasil chega com atraso, mas em momento estratégico para diversificar destinos de exportação em meio a tensões comerciais globais.
📊 Número do Dia
97% , Percentual das transações comerciais do Brasil com a EFTA que terão isenção de tarifas de importação
Por que isso importa
Para o exportador brasileiro, o acordo abre portas em mercados de alto poder aquisitivo, especialmente para produtos agrícolas e industriais de maior valor agregado. Para o consumidor, a redução de tarifas pode baratear importações de produtos suíços e noruegueses, como chocolates, queijos e equipamentos de precisão. Para o país, representa diversificação de parceiros comerciais em momento de incertezas no comércio global, reduzindo dependência excessiva de China e Estados Unidos.
Fonte original: https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/06/senado-aprova-acordo-de-livre-comercio-entre-mercosul-e-bloco-europeu-efta.ghtml


