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terça-feira, 25 de agosto de 2026 Brasil

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Contrabando de canetas emagrecedoras explode no Brasil

A Polícia Federal e a Receita Federal apreenderam 79.168 canetas emagrecedoras irregulares nos primeiros quatro meses de 2026, superando em 30% todo o volume de 2025. Uma unidade é retirada de circulação a cada dois minutos no país.

Apreensões de canetas emagrecedoras irregulares crescem 30% em 2026. PF e Receita revelam mercado clandestino bilionário com rota do Paraguai ao Rio.

O mercado clandestino de medicamentos emagrecedores no Brasil está crescendo em ritmo acelerado. Dados da Polícia Federal e da Receita Federal mostram que, até 23 de abril de 2026, foram apreendidas 79.168 unidades de canetas emagrecedoras irregulares — uma média de 700 por dia, ou uma a cada dois minutos. O número já supera em 30% todo o volume registrado em 2025, quando foram retidas 60.787 unidades.

Entre os produtos apreendidos estão medicamentos autorizados no Brasil para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, como Mounjaro (que contém tirzepatida, substância que ajuda o corpo a controlar o açúcar no sangue e reduz o apetite) e Ozempic (com semaglutida, que funciona de forma semelhante). Esses remédios entraram no país sem documentação, configurando contrabando, além de compostos não autorizados pela Anvisa (a agência que fiscaliza se medicamentos são seguros para uso no Brasil).

A rota do contrabando

Segundo as investigações da PF, a principal porta de entrada é a Ponte da Amizade, que liga Ciudad del Este, no Paraguai, a Foz do Iguaçu, no Paraná. De lá, os produtos seguem por rodovias ou, na maioria dos casos, em voos domésticos até o Rio de Janeiro. Dos 14 procedimentos instaurados pela PF em 2026 no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), dez envolviam voos vindos de Foz do Iguaçu, conforme relatou o delegado Sandro Luiz do Valle Pereira ao jornal O Globo.

O perfil de quem transporta a mercadoria é variado: homens, mulheres e idosos, alguns comprando para consumo próprio, outros para revender. É como se fosse um mercado paralelo de remédios, funcionando nos mesmos moldes do contrabando de eletrônicos, mas com produtos que podem representar riscos à saúde.

Explosão no Rio de Janeiro

O estado do Rio de Janeiro concentra o crescimento mais expressivo. A Receita Federal apreendeu 115 medicamentos emagrecedores no estado em 2024. Em 2025, o número saltou para 1.026 unidades — alta de quase nove vezes. Apenas entre janeiro e abril de 2026, já foram apreendidos 1.771 medicamentos, superando em mais de 70% todo o volume de 2025. O valor estimado das apreensões em 2025 foi de R$ 2,4 milhões.

A Anvisa intensificou a fiscalização. Desde o início do ano, realizou 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras, interditando oito estabelecimentos por falhas técnicas graves. Ao todo, foram apreendidas 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares. Em abril, uma operação conjunta com a PF em 12 estados identificou transações irregulares que movimentaram R$ 4,8 milhões em tirzepatida — quantidade suficiente para produzir mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis.

Comparação internacional

O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA, equivalente à Anvisa) também enfrenta desafios com a venda irregular de versões falsificadas ou não autorizadas de semaglutida e tirzepatida, especialmente pela internet. A diferença é que, no Brasil, o contrabando físico por fronteiras terrestres facilita a entrada em larga escala, enquanto nos EUA o problema se concentra mais em vendas online.

Durante a operação de abril, investigadores identificaram em três estados a presença de retatrutida em aplicadores apreendidos. Essa substância ainda não foi lançada oficialmente nem registrada por qualquer agência reguladora no mundo, o que aumenta os riscos para quem a utiliza sem acompanhamento médico.

📊 Número do Dia

79.168 , Canetas emagrecedoras irregulares apreendidas pela PF e Receita Federal nos primeiros quatro meses de 2026, superando em 30% todo o volume de 2025

Por que isso importa

O crescimento acelerado do mercado clandestino de medicamentos emagrecedores representa riscos à saúde pública, já que produtos sem controle de qualidade podem conter dosagens erradas ou substâncias não autorizadas. Para o cidadão, significa exposição a remédios potencialmente perigosos vendidos sem receita ou acompanhamento médico. Para as empresas farmacêuticas, o contrabando representa concorrência desleal e perda de receita. E para o investidor, sinaliza um mercado em expansão que pode demandar maior regulação e fiscalização, impactando a cadeia de distribuição legal.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/21/uma-caneta-emagracedora-contrabandeada-e-retirada-de-circulacao-a-cada-dois-minutos-no-pais-apontam-pf-e-receita.ghtml