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segunda-feira, 24 de agosto de 2026 Brasil

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STF valida lei de igualdade salarial entre gêneros

O Supremo Tribunal Federal (STF) validou por unanimidade, nesta quinta-feira, a lei de 2023 que garante igualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil. A decisão mantém a obrigatoriedade de relatórios de transparência salarial para empresas com mais de 100 funcionários.

Cinco mulheres executivas em reunião de negócios analisando documentos corporativos, igualdade salarial gênero
Executivas em reunião corporativa discutem políticas empresariais em ambiente de negócios.

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a constitucionalidade da lei que obriga empresas a garantir salários iguais para homens e mulheres que exercem as mesmas funções. A decisão, tomada por unanimidade nesta quinta-feira, encerra questionamentos apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Partido Novo, que alegavam que a norma violaria a livre iniciativa e a proteção de dados das empresas.

A lei, aprovada em 2023, estabelece que empresas com mais de 100 empregados devem divulgar relatórios de transparência salarial ao Ministério do Trabalho e Emprego, detalhando salários e critérios de remuneração por gênero. Caso seja identificada desigualdade, as empresas são obrigadas a elaborar um plano de ação com metas e prazos para corrigir a distorção, sob pena de multa. Funciona como uma espécie de auditoria obrigatória: a empresa precisa abrir seus dados, identificar onde paga diferente para homens e mulheres na mesma função e corrigir o problema.

O que dizem os números

Segundo dados do IBGE, mulheres brasileiras ganham em média 20% a menos que homens exercendo as mesmas funções — uma diferença que se mantém mesmo quando controlados fatores como escolaridade e experiência. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, classificou essa disparidade como “flagrante discriminação de gênero” e afirmou que a omissão das empresas diante do problema configura conduta dolosa (ou seja, intencional).

A ministra Cármen Lúcia, única mulher no STF atualmente, destacou que a igualdade formal — aquela que existe apenas no papel — não basta. “Todo mundo é a favor da igualdade, mas… e é no ‘mas’ que meus direitos tropeçam”, afirmou durante o julgamento, citando a escritora Carolina Maria de Jesus: “Antigamente o que oprimia era a palavra calvário, agora é a palavra salário”.

Comparação internacional

A título de comparação, a União Europeia aprovou em 2023 legislação semelhante, exigindo transparência salarial de empresas com mais de 100 funcionários — o mesmo patamar adotado pelo Brasil. Países como Islândia e Alemanha já possuem mecanismos de fiscalização salarial há mais tempo, com resultados positivos na redução da diferença de remuneração entre gêneros. Na Islândia, considerada referência global no tema, a diferença salarial caiu para cerca de 10% após a implementação de leis rigorosas de transparência.

O ministro Flávio Dino alertou para o risco de a norma se tornar mais uma “lei que não pega” — expressão usada no Brasil para legislações que existem formalmente mas não são cumpridas na prática. “Precisamos fortalecer a segurança jurídica e sua ampla aceitação social. Ela não pode ser vista como uma lei dos trabalhadores contra as empresas”, afirmou.

Por que isso importa

Para as empresas, a decisão significa que a transparência salarial deixa de ser opcional e passa a ser uma obrigação legal fiscalizada. Companhias com mais de 100 funcionários — estimadas em mais de 20 mil no Brasil, segundo dados públicos do Ministério do Trabalho — precisarão revisar suas estruturas de remuneração e, se necessário, corrigir distorções sob risco de multas. Para as trabalhadoras, a lei cria um mecanismo concreto de combate à discriminação salarial, permitindo que desigualdades antes invisíveis sejam identificadas e corrigidas. Para o investidor, a decisão reduz incertezas jurídicas e sinaliza que práticas de governança corporativa relacionadas à equidade de gênero serão cada vez mais exigidas no ambiente de negócios brasileiro.

📊 Número do Dia

20% , Diferença média entre salários de homens e mulheres no Brasil, segundo o IBGE, mesmo em funções idênticas

Por que isso importa

A decisão do STF transforma a igualdade salarial de princípio constitucional em obrigação prática fiscalizada. Empresas com mais de 100 funcionários terão que abrir seus dados salariais, identificar desigualdades e corrigi-las sob pena de multa. Para as trabalhadoras, isso significa um instrumento concreto contra a discriminação. Para o mercado, sinaliza que práticas de equidade de gênero deixam de ser opcionais e passam a integrar o ambiente regulatório brasileiro, alinhando o país a tendências globais de transparência corporativa.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/14/stf-forma-maioria-para-validar-lei-da-igualdade-salarial-entre-homens-e-mulheres.ghtml