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Banco Central regulamenta transferências internacionais por aplicativo

Medida aumenta segurança das operações e amplia serviço para investimentos, mantendo limite de US$ 10 mil por transação
Pessoa usando smartphone para fazer transferência internacional de R$ 5.000,00, banking digital, fintech
A partir de outubro de 2026, o Banco Central passa a exigir autorização prévia para empresas que oferecem transferências eletrônicas internacionais (eFX), serviço usado para enviar dinheiro ao exterior por aplicativos.

O Banco Central aprovou nesta quinta-feira (30) novas regras de segurança para as transferências eletrônicas internacionais, conhecidas pela sigla eFX. Esse serviço, regulamentado em 2022, permite que brasileiros enviem dinheiro para o exterior ou paguem compras internacionais diretamente por aplicativos de celular, sem precisar assinar contratos individuais de câmbio para cada operação — como acontece nas casas de câmbio tradicionais. É como usar um Pix, mas para transações internacionais.

Segundo a resolução publicada pelo BC, a partir de outubro apenas instituições autorizadas pela autoridade monetária poderão oferecer o serviço. As empresas que já operam o eFX sem autorização formal terão até maio de 2027 para regularizar sua situação junto ao Banco Central. A medida busca aumentar a transparência e a segurança das operações, alinhando o Brasil aos padrões internacionais de regulação financeira.

O que muda na prática

As instituições autorizadas deverão enviar mensalmente informações detalhadas ao BC sobre as operações realizadas e manter contas separadas exclusivamente para o trânsito de recursos dos clientes de eFX. Essa separação funciona como uma proteção adicional: se a empresa tiver problemas financeiros, o dinheiro dos clientes fica isolado e protegido. As novas regras foram resultado de consulta pública realizada em 2025, conforme informou o Banco Central.

Ao mesmo tempo em que aumentou a fiscalização, o BC ampliou o escopo do serviço. Agora, o eFX poderá ser usado também para investimentos no mercado financeiro e de capitais, tanto no Brasil quanto no exterior, mantendo o limite de US$ 10 mil por transação. A título de comparação, nos Estados Unidos e na União Europeia, serviços similares de transferência internacional já são regulados há mais tempo, com limites que variam conforme o perfil do cliente e o tipo de operação.

Contexto do mercado

O eFX atende hoje três finalidades principais: pagamento de compras no exterior, contratação de serviços internacionais e transferências de recursos. O serviço ganhou popularidade nos últimos anos com o crescimento de fintechs especializadas em câmbio, que oferecem taxas mais competitivas que os bancos tradicionais. Segundo dados do Banco Central, o volume de operações de câmbio por meios eletrônicos cresceu significativamente desde a regulamentação inicial em 2022, embora o órgão não tenha divulgado números específicos sobre o eFX.

📊 Número do Dia

US$ 10 mil — Limite por transação no serviço eFX, que agora inclui também investimentos financeiros no Brasil e no exterior

Por que isso importa

Para quem envia dinheiro ao exterior regularmente — seja para pagar estudos, manter familiares ou investir —, as novas regras trazem mais segurança, mas também podem reduzir o número de empresas no mercado. A exigência de autorização prévia do BC tende a eliminar operadores informais e concentrar o serviço em instituições maiores e mais estruturadas. Isso pode significar menos concorrência e, potencialmente, taxas menos agressivas no médio prazo. Por outro lado, a separação de contas e o envio mensal de informações ao BC protegem melhor o consumidor contra fraudes e falências.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/bc-reforca-seguranca-em-transferencias-eletronicas-para-exterior

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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