A Avibras, fabricante brasileira de sistemas de mísseis e foguetes de artilharia, voltou a produzir em maio após quatro anos de inatividade. A retomada foi possível graças a um aporte privado de R$ 300 milhões, liderado pelo Fundo Brasil Crédito e pelo bilionário Joesley Batista, conhecido por controlar a JBS, maior processadora de carnes do mundo. O investimento marca uma tentativa de ressurreição da indústria de defesa brasileira, setor que enfrentou décadas de desinvestimento.
A empresa produz o sistema Astros, uma plataforma de foguetes de artilharia considerada a “joia da coroa” do Exército brasileiro. Segundo o Rio Times, a Avibras está 90% concluída no desenvolvimento do míssil de cruzeiro MTC-300, com alcance de 300 quilômetros — uma distância equivalente à que separa São Paulo de Curitiba. O sistema permite ataques de precisão a alvos distantes, capacidade estratégica que poucos países dominam.
Comparação internacional
A retomada coloca o Brasil de volta ao seleto grupo de países que fabricam sistemas de mísseis de longo alcance. A título de comparação, a Turquia investiu mais de US$ 1 bilhão na última década para desenvolver sua indústria de defesa, tornando-se exportadora regional. Israel, referência no setor, destina cerca de 5% do PIB (a riqueza total produzida no país em um ano) para defesa, enquanto o Brasil investe menos de 1,5%. O modelo brasileiro, porém, difere: enquanto esses países contam com forte financiamento estatal, a Avibras depende agora de capital privado.
Segundo a reportagem, há interesse de compradores chineses, indianos e de países do Oriente Médio nos sistemas da Avibras. O mercado global de defesa movimenta mais de US$ 500 bilhões anuais, e sistemas de mísseis representam cerca de 15% desse total. Para o Brasil, exportar tecnologia militar significa não apenas receita em dólares, mas também geração de empregos qualificados e desenvolvimento de tecnologias que podem ter aplicações civis, como na indústria aeroespacial.
Por que isso importa
Para o cidadão, a retomada da Avibras representa a possibilidade de empregos de alta qualificação em engenharia e tecnologia, setores que pagam salários acima da média nacional. Para empresas do setor de defesa e fornecedores, significa a reabertura de uma cadeia produtiva que estava paralisada. Para investidores, o caso ilustra como capital privado pode preencher lacunas deixadas pelo Estado em setores estratégicos — um movimento que pode se repetir em outras áreas da economia brasileira.
📊 Número do Dia
R$ 300 milhões , Valor captado pela Avibras para retomar produção de mísseis após quatro anos parada
Por que isso importa
A retomada da Avibras mostra que o Brasil pode voltar a competir no mercado global de defesa, setor que movimenta meio trilhão de dólares por ano. Para o cidadão, significa empregos qualificados em engenharia. Para empresas, a reabertura de uma cadeia produtiva estratégica. Para investidores, um exemplo de como capital privado pode substituir o Estado em setores que exigem alta tecnologia — modelo que pode se expandir para outras áreas da economia.
Fonte original: https://www.riotimesonline.com/avibras-missile-production-restart-may-2026/












