O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, confirmou que o governo decidiu separar o combate ao endividamento das ações de estímulo ao crédito. A nova etapa do Desenrola, focada na renegociação de dívidas, deve ser lançada na próxima segunda-feira, com detalhes a cargo do Ministério da Fazenda. O presidente Lula deve antecipar as linhas gerais em pronunciamento na quinta-feira, Dia do Trabalho.
A principal novidade é o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — uma poupança obrigatória que o empregador deposita mensalmente para o trabalhador) na quitação de dívidas. Trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 7.640) poderão usar até 20% do saldo do FGTS para pagar débitos, desde que consigam desconto na negociação. É como se o governo permitisse que você usasse parte da sua poupança forçada para sair do vermelho — mas só se o banco ou a loja também der um desconto.
Segundo o governo, a medida pode liberar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 8 bilhões. O dinheiro será transferido diretamente ao credor, sem passar pela mão do devedor — uma forma de garantir que o recurso seja usado para quitar a dívida, não para outros fins. O pacote também deve incluir restrições ao uso de recursos em apostas online por quem aderir ao programa, tentando evitar que as pessoas voltem a se endividar.
Crédito para motoristas vem depois
Em um segundo momento, o governo planeja anunciar linhas de crédito específicas para categorias como taxistas e caminhoneiros, além de outras medidas para estimular investimentos. A estratégia é combinar o alívio imediato das dívidas com ações para manter a economia aquecida e a geração de emprego. É uma tentativa de atacar dois problemas ao mesmo tempo: tirar as famílias do sufoco financeiro e, ao mesmo tempo, garantir que haja dinheiro circulando para sustentar a atividade econômica.
Comparação internacional
A título de comparação, programas de renegociação de dívidas são comuns em momentos de crise. Durante a pandemia, países como Estados Unidos e Reino Unido criaram moratórias (suspensões temporárias) de pagamentos de empréstimos e financiamentos. O Brasil, porém, opta por uma abordagem diferente: em vez de apenas adiar o problema, tenta resolvê-lo de vez usando recursos do FGTS — um fundo que não existe na maioria das economias desenvolvidas.
📊 Número do Dia
R$ 8 bilhões , Valor máximo que pode ser liberado do FGTS para renegociação de dívidas na nova fase do Desenrola
Por que isso importa
Para o cidadão endividado com renda de até cinco salários mínimos, a medida pode ser uma chance de sair do vermelho usando parte do FGTS — mas só se conseguir desconto na negociação. Para a economia como um todo, o governo aposta que reduzir o endividamento das famílias vai liberar renda para consumo e investimento, ajudando a manter o crescimento. Já as restrições a apostas online sinalizam uma tentativa de evitar que o alívio de hoje vire o problema de amanhã.












