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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Governo divide Desenrola em duas fases distintas

O governo federal anunciou nesta quarta-feira que vai dividir a nova fase do programa Desenrola em dois momentos: primeiro, medidas para renegociar dívidas das famílias; depois, linhas de crédito para investimento, incluindo motoristas profissionais.

Família com filha adolescente em consultoria financeira com profissional em escritório moderno, negociação crédito
Famílias buscam orientação financeira para renegociação de dívidas em programas governamentais.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, confirmou que o governo decidiu separar o combate ao endividamento das ações de estímulo ao crédito. A nova etapa do Desenrola, focada na renegociação de dívidas, deve ser lançada na próxima segunda-feira, com detalhes a cargo do Ministério da Fazenda. O presidente Lula deve antecipar as linhas gerais em pronunciamento na quinta-feira, Dia do Trabalho.

A principal novidade é o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — uma poupança obrigatória que o empregador deposita mensalmente para o trabalhador) na quitação de dívidas. Trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos (R$ 7.640) poderão usar até 20% do saldo do FGTS para pagar débitos, desde que consigam desconto na negociação. É como se o governo permitisse que você usasse parte da sua poupança forçada para sair do vermelho — mas só se o banco ou a loja também der um desconto.

Segundo o governo, a medida pode liberar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 8 bilhões. O dinheiro será transferido diretamente ao credor, sem passar pela mão do devedor — uma forma de garantir que o recurso seja usado para quitar a dívida, não para outros fins. O pacote também deve incluir restrições ao uso de recursos em apostas online por quem aderir ao programa, tentando evitar que as pessoas voltem a se endividar.

Crédito para motoristas vem depois

Em um segundo momento, o governo planeja anunciar linhas de crédito específicas para categorias como taxistas e caminhoneiros, além de outras medidas para estimular investimentos. A estratégia é combinar o alívio imediato das dívidas com ações para manter a economia aquecida e a geração de emprego. É uma tentativa de atacar dois problemas ao mesmo tempo: tirar as famílias do sufoco financeiro e, ao mesmo tempo, garantir que haja dinheiro circulando para sustentar a atividade econômica.

Comparação internacional

A título de comparação, programas de renegociação de dívidas são comuns em momentos de crise. Durante a pandemia, países como Estados Unidos e Reino Unido criaram moratórias (suspensões temporárias) de pagamentos de empréstimos e financiamentos. O Brasil, porém, opta por uma abordagem diferente: em vez de apenas adiar o problema, tenta resolvê-lo de vez usando recursos do FGTS — um fundo que não existe na maioria das economias desenvolvidas.

📊 Número do Dia

R$ 8 bilhões , Valor máximo que pode ser liberado do FGTS para renegociação de dívidas na nova fase do Desenrola

Por que isso importa

Para o cidadão endividado com renda de até cinco salários mínimos, a medida pode ser uma chance de sair do vermelho usando parte do FGTS — mas só se conseguir desconto na negociação. Para a economia como um todo, o governo aposta que reduzir o endividamento das famílias vai liberar renda para consumo e investimento, ajudando a manter o crescimento. Já as restrições a apostas online sinalizam uma tentativa de evitar que o alívio de hoje vire o problema de amanhã.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/29/credito-para-motoristas-sera-anunciado-separado-do-novo-desenrola-diz-ministro-do-trabalho.ghtml