O Brasil acaba de formalizar o maior acordo comercial de sua história. Nesta terça-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que oficializa a validade do tratado entre Mercosul (bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e União Europeia, segundo informou a Agência Brasil. O acordo entra em vigor a partir de 1º de maio, encerrando 26 anos de negociações entre os dois blocos.
O pacto cria uma zona de livre comércio — ou seja, uma área onde produtos circulam com tarifas (impostos de importação) reduzidas ou zeradas — envolvendo 31 países, com população conjunta de 720 milhões de habitantes. Juntas, essas economias somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de tudo que um país produz em bens e serviços). Para efeito de comparação, o acordo entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) envolve cerca de 500 milhões de pessoas e PIB de US$ 28 trilhões — o tratado Mercosul-UE é, portanto, o segundo maior do mundo em população.
Com o tratado, o Mercosul vai zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, conforme a Agência Brasil. Já a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens vendidos pelo Mercosul em até 12 anos. Na prática, isso significa que produtos brasileiros como carne, soja, suco de laranja e calçados terão acesso facilitado ao mercado europeu, enquanto máquinas, automóveis e medicamentos europeus chegarão ao Brasil com impostos menores — imagine que, até agora, esses produtos pagavam uma espécie de pedágio para entrar em cada mercado, e esse pedágio será progressivamente eliminado.
O que muda na prática
Do lado brasileiro, o Congresso Nacional já aprovou o acordo em março, e os parlamentos de Argentina, Uruguai e Paraguai também ratificaram o tratado. Do lado europeu, o Parlamento Europeu pediu uma avaliação jurídica ao Tribunal de Justiça do bloco, mas a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que o acordo será aplicado de forma provisória a partir de maio, segundo a Agência Brasil. Isso significa que os efeitos práticos começam mesmo com a pendência judicial.
Na mesma cerimônia, Lula enviou ao Congresso outros dois acordos comerciais para análise: um com Singapura (importante hub financeiro e comercial da Ásia) e outro com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Este último criará um mercado de 290 milhões de consumidores em economias que somam PIB de US$ 4,39 trilhões, conforme a Agência Brasil. Ambos os acordos ainda precisam ser aprovados pelos legislativos dos países do Mercosul para entrarem em vigor.
Contexto geopolítico
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou o significado político do acordo. “Em um mundo conturbado, com forte instabilidade geopolítica e proliferação de medidas unilaterais, inclusive na área comercial, o acordo emite claro sinal de que os dois blocos acreditam na integração econômica”, afirmou, segundo a Agência Brasil. A fala faz referência ao contexto atual de guerras comerciais e tarifas unilaterais impostas por grandes economias — a título de comparação, os Estados Unidos têm adotado tarifas protecionistas crescentes desde 2018, movimento que contrasta com a abertura comercial proposta pelo acordo Mercosul-UE.
📊 Número do Dia
720 milhões — População total da zona de livre comércio criada pelo acordo Mercosul-União Europeia, a segunda maior do mundo
Por que isso importa
Para o exportador brasileiro, o acordo abre as portas do maior mercado consumidor do mundo, com 450 milhões de europeus de alta renda. Para o cidadão, significa acesso a produtos importados mais baratos — de carros a eletrônicos — à medida que as tarifas caem nos próximos anos. Para a economia como um todo, representa diversificação de parceiros comerciais em um momento de instabilidade global, reduzindo a dependência de mercados como China e Estados Unidos. O acordo também pressiona a indústria brasileira a ganhar competitividade, já que enfrentará concorrência europeia com menos proteção tarifária.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/lula-assina-decreto-que-promulga-acordo-ue-mercosul












