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DF autoriza venda de imóveis públicos para socorrer BRB

Medida controversa permite usar até nove propriedades como garantia para operações de até R$ 6,6 bilhões
Governo do DF sanciona lei para vender imóveis públicos e contratar empréstimos de R$ 6,6 bi para socorrer BRB
O governador Ibaneis Rocha sancionou nesta terça-feira (10) lei que permite ao Distrito Federal vender imóveis públicos e contratar empréstimos de até R$ 6,6 bilhões para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB), em meio à crise de liquidez provocada por operações com o Banco Master.

A nova legislação, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial do DF, autoriza o governo distrital a mobilizar até nove imóveis públicos como garantia ou lastro para operações financeiras destinadas ao banco. Dessa forma, entre os ativos está uma área de 716 hectares na Serrinha do Paranoá e imóveis no Setor de Indústria e Abastecimento, segundo informou a Agência Brasil.

Por outro lado, a medida responde à pressão de liquidez enfrentada pelo BRB após a compra de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do Banco Master, operação que está sob investigação da Polícia Federal por suspeitas de fraude. Em consequência disso, o banco anunciou na segunda-feira (9) proposta de aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões para manter o índice de Basileia em níveis prudenciais.

No entanto, o uso de ativos públicos para socorrer instituições financeiras não é incomum em crises bancárias. Por exemplo, durante a crise financeira de 2008, diversos governos europeus utilizaram garantias estatais para estabilizar bancos em dificuldade, embora raramente envolvessem a venda direta de imóveis públicos. Da mesma forma, no Brasil, operações de capitalização de bancos estaduais costumam ocorrer via aportes diretos do Tesouro ou emissão de títulos.

Contudo, a proposta foi aprovada na Câmara Legislativa do DF por 14 votos favoráveis e 10 contrários, apesar de recomendação contrária dos técnicos da Casa. Em seguida, durante a sanção, Ibaneis vetou três dispositivos, incluindo a garantia de participação mínima de 20% ao Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev-DF) no processo de capitalização e a exigência de relatórios trimestrais sobre os imóveis envolvidos.

📊 Número do Dia

R$ 6,6 bilhões — Valor máximo de empréstimos emergenciais que o DF pode contratar para socorrer o BRB

Por que isso importa

Sobretudo para o cidadão do Distrito Federal, a medida representa risco direto ao patrimônio público: ou seja, imóveis que pertencem à população podem ser vendidos ou dados em garantia para cobrir perdas de um banco estadual. Por conseguinte, para investidores, a operação sinaliza a gravidade da situação do BRB e a possibilidade de perdas significativas nas operações com o Banco Master. Além disso, a ausência de transparência sobre os imóveis envolvidos e a falta de um plano formal de retorno financeiro aumentam a incerteza sobre o custo final da operação para os cofres distritais.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/governo-do-df-sanciona-lei-para-socorrer-brb-com-imoveis-publicos

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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