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Dólar a R$ 5,26 e Ibovespa cai 3,27% com crise no Oriente Médio

Escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provoca volatilidade generalizada nos mercados globais e emergentes
Gráfico mostra dólar a R$ 5,26 e queda do Ibovespa em 3,27% durante tensões geopolíticas no Oriente Médio
O dólar comercial fechou a terça-feira (3) a R$ 5,261, alta de 1,87%, enquanto o Ibovespa recuou 3,27%, aos 183.104 pontos, no maior tombo do ano. A escalada do conflito no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, provocou fuga global para ativos seguros.

A tensão geopolítica no Oriente Médio contaminou os mercados brasileiros nesta terça-feira. Segundo a Agência Brasil, o dólar comercial encerrou o dia a R$ 5,261, ou seja, o maior nível desde 26 de janeiro, quando estava em R$ 5,28. Além disso, a moeda chegou a tocar R$ 5,34 durante a manhã, mas desacelerou à tarde. Da mesma forma, o Ibovespa acompanhou o pessimismo global e caiu 3,27%, encerrando aos 183.104 pontos — portanto, o menor patamar desde 6 de fevereiro.

O gatilho foi a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Por exemplo, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, enquanto o Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito. Por conseguinte, o petróleo tipo Brent subiu mais de 4%, para US$ 81 o barril, após tocar alta de 10% no início do dia. Na Europa, contudo, o gás natural disparou 22%, elevando assim temores de inflação global e desaceleração econômica.

A volatilidade foi generalizada. De fato, as bolsas asiáticas lideraram as perdas, com Seul recuando 7,24% e Tóquio 3,1%. Posteriormente, na Europa, as quedas superaram 3%. Nos Estados Unidos, no entanto, o S&P 500 caiu 0,9% e o Nasdaq 1,02%. A título de comparação, a queda de 3,27% do Ibovespa foi proporcionalmente mais acentuada que a média dos mercados desenvolvidos, refletindo portanto a maior sensibilidade dos emergentes a choques externos.

No cenário doméstico, por outro lado, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, abaixo dos 3,4% de 2024. Além disso, o quarto trimestre avançou apenas 0,1%, sinalizando dessa forma desaceleração. O dado reforça a percepção de perda de fôlego da economia e pode, por isso, influenciar a decisão do Banco Central sobre a Taxa Selic. Anteriormente, o mercado esperava corte de 0,5 ponto percentual na reunião deste mês, mas a escalada geopolítica pode, em contrapartida, limitar a redução a 0,25 ponto.

Em meio à turbulência, o Banco Central chegou a anunciar dois leilões de linha de US$ 2 bilhões cada para conter a alta do dólar, mas cancelou minutos depois, alegando visto que a divulgação ocorreu por engano durante um teste interno.

📊 Número do Dia

R$ 5,261 — Maior cotação do dólar desde 26 de janeiro, com alta de 1,87% no dia

Por que isso importa

Para o investidor, a volatilidade extrema exige cautela: ou seja, a queda de 3,27% do Ibovespa apagou parte dos ganhos recentes, com o índice saindo do recorde de 191 mil pontos em 24 de fevereiro. Para o cidadão, por outro lado, o dólar mais caro pressiona a inflação de alimentos e combustíveis, enquanto a desaceleração do PIB e juros potencialmente mais altos por mais tempo afetam emprego e crédito. Para empresas exportadoras, no entanto, a alta cambial traz alívio temporário, mas a incerteza global sobre energia e crescimento pesa nas projeções de demanda.

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