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quarta-feira, 28 de outubro de 2026 Brasil

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Um em cada dez americanos usa caneta emagrecedora

A Folha de S.Paulo publicou em 28 de outubro de 2026 reportagem sobre os efeitos econômicos dos medicamentos para emagrecer nos Estados Unidos, onde um em cada dez americanos já os utiliza. Entre os afetados está Alan Horowitz, que há 25 anos vende ternos sob medida para clientes de tamanhos grandes e altos e relata perda de clientela.

Um em cada dez americanos usa medicamentos para emagrecer e setores inteiros sentem o efeito. Entenda o choque de demanda que redistribui renda entre negócios.

Há mudanças tecnológicas que chegam pela fábrica e há mudanças que chegam pelo corpo das pessoas. A reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, assinada por Stephanie Stacey, Madeleine Speed, Peter Campbell e Ramsay Hodgson, descreve a segunda categoria: a difusão dos medicamentos para emagrecer nos Estados Unidos, a ponto de um em cada dez americanos já os utilizar, segundo o texto.

Quando o cliente muda de tamanho

O caso relatado é concreto. Alan Horowitz construiu durante 25 anos um negócio de ternos sob medida apoiado em clientes de tamanhos grandes e altos. Conforme os medicamentos se espalharam, ele perdeu clientes. Não se trata de recessão, de concorrência desleal ou de erro de gestão. Trata-se de um nicho que encolhe porque a demanda que o sustentava deixou de existir no formato anterior.

O mecanismo: deslocamento, não destruição

Economistas chamam isso de choque de demanda setorial. Uma inovação altera preferências ou necessidades dos consumidores e redistribui gastos entre setores. O dinheiro que antes ia para roupas de tamanhos específicos pode migrar para o próprio medicamento, para outras peças de vestuário ou para categorias inteiramente distintas. A renda agregada não desaparece, mas muda de endereço. É exatamente por isso que o título da reportagem fala em vencedores e perdedores, e não apenas em perdas.

Esse padrão é familiar na história econômica. Toda inovação relevante cria um conjunto de beneficiários visíveis e um conjunto de prejudicados que raramente aparecem nas estatísticas agregadas. O ganho tende a ser difuso, distribuído entre milhões de consumidores. O custo tende a ser concentrado, recaindo sobre empresas e trabalhadores de nichos específicos, como a alfaiataria de tamanhos grandes citada no texto.

Por que isso interessa ao Brasil

O material fornecido trata dos Estados Unidos, e não há dados brasileiros no conteúdo recebido. Ainda assim, o mecanismo é universal e merece atenção de quem produz, importa ou vende no Brasil. Setores cuja demanda depende de características corporais ou hábitos de consumo relacionados ao peso operam com um fator de risco que raramente entra nos planos de negócio: a possibilidade de que um medicamento altere o tamanho do mercado endereçável.

A lição para empresas é menos dramática do que parece. Mercados que mudam rápido premiam flexibilidade de linha de produto e penalizam a especialização excessiva em um único nicho. Para o consumidor, a difusão de uma tecnologia que melhora saúde é ganho líquido. Para o fornecedor que apostou na permanência do mundo anterior, é um custo real que não encontra compensação automática.

Vale o cuidado habitual: o material disponível não permite medir o tamanho dessas perdas nem afirmar quanto do movimento se deve exclusivamente aos medicamentos.

📊 Número do Dia

1 em cada 10 americanos — Parcela da população dos Estados Unidos que já utiliza medicamentos para emagrecer, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 28 de outubro de 2026.

Por que isso importa

A difusão rápida de uma tecnologia de saúde redistribui demanda entre setores inteiros. Empresas muito especializadas em nichos ligados a características corporais podem ver seu mercado encolher sem que tenham cometido qualquer erro de gestão, um risco que vale ser considerado também por negócios brasileiros expostos a dinâmica semelhante.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/os-vencedores-e-os-perdedores-da-economia-dos-medicamentos-para-emagrecer.shtml