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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Turbulência após eleição leva Tesouro a cancelar leilões

O Tesouro anunciou em 26 de outubro o cancelamento de seus dois próximos leilões de títulos públicos, em meio à turbulência financeira que se seguiu à vitória de Lula na eleição presidencial, segundo a RFI. A decisão atingiu as ofertas previstas para terça e quinta-feira.

Segundo a RFI, Tesouro cancela dois leilões após turbulência eleitoral. Alta dos juros pode encarecer novas emissões e pressionar as contas públicas.

A intensidade do movimento apareceu logo na abertura da Bolsa de São Paulo. Segundo a RFI, o principal índice chegou a cair 17%, enquanto o real recuava 12% diante do dólar. Esses percentuais descrevem movimentos relatados durante a sessão, não resultados de fechamento. As negociações foram suspensas diversas vezes pelo mecanismo de segurança da bolsa, acionado em quedas acentuadas.

A reportagem afirma que investidores haviam se preparado para uma possível vitória de Flavio Bolsonaro, visto por eles como o candidato mais capaz de conter o crescimento da dívida. A intenção do candidato derrotado de contestar o resultado também contribuiu para a turbulência, segundo o veículo. Essa avaliação descreve expectativas dos investidores, não comprova qual candidatura produziria melhores resultados fiscais.

O preço para financiar o governo

O movimento alcançou os títulos públicos de longo prazo, com alta dos juros. Quando investidores exigem retorno maior para comprar dívida, novas emissões podem ficar mais caras para o governo. O cancelamento dos leilões interrompe aquelas oportunidades de captação, mas não permite concluir que o Tesouro tenha perdido acesso ao financiamento.

A pressão encontra contas públicas já apertadas. A RFI informa que as despesas do Estado superam as receitas e que a dívida pública ultrapassa 80% do Produto Interno Bruto, a soma dos bens e serviços produzidos no país. Nesse quadro, juros maiores podem ampliar o custo de financiar o déficit e substituir títulos que vencem, conforme novas operações forem contratadas.

Promessas entram na conta do risco

Na reta final da campanha, Lula apresentou medidas como aumento de benefícios sociais e perdão de dívidas de microempreendedores, relata a RFI. São propostas de campanha, não despesas executadas. Seu efeito fiscal dependerá do desenho e da implementação: ampliar benefícios pode elevar gastos; o custo do perdão depende de quem absorverá as perdas.

A reportagem também aponta um Parlamento mais à direita após as eleições legislativas de 4 de outubro, o que pode estreitar a margem de ação do presidente reeleito. Para o financiamento público, a questão concreta é como eventuais novas despesas serão acomodadas. Se os juros exigidos permanecerem elevados nas próximas emissões, uma parcela maior dos recursos públicos poderá ser destinada ao serviço da dívida, reduzindo o espaço para outras despesas.

📊 Número do Dia

17% , Queda que o principal índice da Bolsa de São Paulo chegou a registrar durante a sessão de 26 de outubro de 2026, segundo a RFI.

Por que isso importa

A alta dos juros exigidos pelos investidores pode encarecer novas emissões de dívida. Se persistir, essa pressão aumenta o custo de financiamento do governo e restringe o espaço para outras despesas.


Fonte original: https://www.rfi.fr/fr/am%C3%A9riques/20261027-br%C3%A9sil-la-victoire-inattendue-de-lula-s%C3%A8me-le-trouble-sur-les-march%C3%A9s-financiers