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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Cota de Trump para carne atrai pouco volume

Na metade de uma iniciativa de três meses para ampliar as importações de carne bovina, o governo de Donald Trump registrava entrada limitada e pouca mudança nos preços. O balanço foi publicado pela Folha de S.Paulo em 24 de outubro, em reportagem do The New York Times.

Cota de Trump para importar carne atrai volume abaixo do limite. Veja o mecanismo dos preços e o que a medida pode representar para fornecedores brasileiros.

O decreto assinado por Trump em agosto permitiu importar 300 mil toneladas métricas de aparas de carne bovina magra com tarifa reduzida. O limite foi dividido em 100 mil toneladas mensais, de setembro a novembro. Essas aparas são misturadas à carne mais gordurosa do gado americano para produzir carne moída.

Segundo dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos citados pela reportagem, entraram 37.486 toneladas métricas pela cota em setembro. Em outubro, até o dia 19, foram 21.937 toneladas. A autorização, portanto, abriu espaço para compras que não se materializaram integralmente.

Importação pela cota não significa oferta adicional

O ponto decisivo é quanto entrou além do que já seria comprado. Uma carga pode aproveitar a tarifa reduzida sem representar aumento das importações: basta que o comprador já pretendesse adquiri-la antes do decreto.

James Mitchell, economista da Universidade do Arkansas, estimou esse volume por dois métodos. Um indicou que 41% das importações de setembro pela cota ocorreriam mesmo sem a medida; o outro apontou 79%. São estimativas distintas, não uma medição definitiva, mas ambas mostram por que o uso do benefício não equivale automaticamente a nova oferta.

Para o Brasil, listado na reportagem entre os principais fornecedores dos Estados Unidos, essa diferença importa. A cota pode abrir oportunidades aos exportadores brasileiros se gerar compras adicionais e condições comerciais viáveis. O material, porém, não discrimina quanto do volume beneficiado veio do Brasil. Austrália, Canadá, México e Nova Zelândia também aparecem entre os principais fornecedores.

O desconto no insumo tem alcance limitado

Mesmo uma redução no custo das aparas alcança apenas parte do preço da carne moída. O consumidor também paga pela carne mais gordurosa usada na mistura, pelo processamento, pela mão de obra e pelo transporte, entre outros custos.

O preço médio no varejo caiu 1,9% em setembro, segundo o Escritório de Estatísticas do Trabalho americano. A queda, isoladamente, não comprova efeito do decreto: o economista Ted Schroeder, da Universidade Estadual do Kansas, observa que recuos nesse período são comuns com o fim da temporada de churrascos.

A abertura comercial pode ampliar o abastecimento, mas o resultado depende de compras efetivamente adicionais e da transmissão de custos menores ao produto final. Para os fornecedores, importa vender mais; para os consumidores americanos, importa quanto dessa economia chega à carne moída. Uma cota disponível não garante nenhum dos dois resultados.

📊 Número do Dia

37.486 toneladas métricas : Volume de aparas de carne bovina importado pelos Estados Unidos pela cota em setembro, diante de um limite mensal de 100 mil toneladas métricas.

Por que isso importa

O Brasil está entre os principais fornecedores de carne bovina dos Estados Unidos. A tarifa reduzida pode favorecer vendas, mas o benefício econômico depende de gerar demanda adicional, não apenas de reduzir o custo de compras que já ocorreriam.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/plano-de-trump-para-aumentar-exportacoes-de-carne-dos-eua-fica-abaixo-do-esperado.shtml