O juiz Marcelo Martínez de Giorgi reconheceu que o apoio de Javier Milei poderia ter ampliado a repercussão do lançamento da LIBRA. Mas, segundo a CoinDesk, com referência a registros judiciais, a publicação presidencial e a queda do ativo não bastavam para demonstrar fraude sem evidência de um engano específico. O arquivamento também abrangeu Karina Milei, irmã do presidente, e Hayden Davis, que se apresentou como assessor do lançamento.
Visibilidade não comprova a promessa econômica
Milei divulgou a LIBRA no X em 14 de fevereiro de 2025, afirmando que o token ajudaria a financiar pequenas empresas argentinas. A LIBRA era uma memecoin, criptoativo associado a uma identidade ou tema popular, lançado na rede Solana. A promessa de financiamento foi parte da divulgação presidencial, não um resultado comprovado pelas informações apresentadas.
Após a forte alta inicial, o ativo perdeu mais de 90% de seu valor, conforme a reportagem. Pesquisadores de blockchain, o registro compartilhado das movimentações da rede, identificaram oito carteiras ligadas ao criador do token que retiraram cerca de US$ 99 milhões em criptoativos no episódio. Esse montante representa retiradas identificadas, não receita destinada a pequenos negócios. Oito carteiras tampouco significam necessariamente oito pessoas.
O mecanismo econômico é direto: o endosso de uma autoridade pode ampliar a atenção sobre um lançamento e atrair interessados. Essa visibilidade não substitui a demonstração de como os recursos serão utilizados. No caso da LIBRA, a finalidade anunciada e as retiradas identificadas são informações distintas, que não devem ser confundidas pelo leitor.
O alcance da decisão e a possibilidade de recurso
Segundo a CoinDesk, citando o veículo argentino Chequeado, o juiz também não encontrou evidências de pagamentos a Karina por acesso ao presidente nem de recursos da LIBRA destinados a autoridades públicas. O arquivamento trata da caracterização criminal dos atos investigados, não de uma certificação da qualidade econômica do token.
Investidores retirados do processo contestam essa exclusão perante a Justiça argentina. Se recuperarem a condição de participantes, poderão recorrer do arquivamento. A distinção central permanece: influência promocional e responsabilidade criminal exigem demonstrações diferentes. Para quem acompanha criptoativos, inclusive no Brasil, uma decisão sobre crime não transforma uma promessa comercial em resultado entregue.
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US$ 99 milhões : Valor aproximado em criptoativos retirado por oito carteiras ligadas ao criador da LIBRA no episódio do lançamento, em fevereiro de 2025, segundo pesquisadores citados pela CoinDesk.
Por que isso importa
O caso distingue a capacidade de uma autoridade de atrair atenção para um token da prova necessária para estabelecer fraude. O arquivamento criminal não comprova que a finalidade econômica anunciada tenha sido cumprida.
Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/10/24/argentina-drops-criminal-probe-into-president-milei-over-crashed-memecoin-libra
