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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Ri Happy: MP apoia renegociação, mas questiona dívidas unificadas

O Ministério Público de São Paulo se manifestou a favor da recuperação extrajudicial da Ri Happy, mas recomendou verificar a documentação por perícia. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 20 de outubro de 2026, o órgão também se opôs à unificação imediata do patrimônio e das dívidas das empresas do grupo.

MP apoia recuperação extrajudicial da Ri Happy, mas recomenda perícia e questiona unificação imediata de dívidas. Veja o que muda para os credores.

A Ri Happy tenta renegociar R$ 827,4 milhões com credores que incluem bancos e fornecedores. O parecer favorável do Ministério Público não equivale à aprovação judicial: o órgão recomenda o deferimento caso a juíza considere desnecessária a nomeação de perito. A promotoria também apoiou o pedido de proteção contra credores por 180 dias.

Negociar junto não significa misturar patrimônios

Na petição inicial, sete empresas do grupo pediram a chamada consolidação substancial. Nesse formato, patrimônio e dívidas são tratados em conjunto, com os credores reunidos em uma única lista. A escolha importa porque altera a forma de contar o apoio à renegociação e pode modificar a distribuição dos sacrifícios entre credores.

O Ministério Público recomendou, inicialmente, apenas a consolidação processual: as empresas participariam do mesmo processo, mas a adesão dos credores seria apurada separadamente para cada uma. Segundo a Folha, isso vale tanto para o quórum inicial de um terço quanto para o apoio futuro de metade mais um. Quórum é o patamar de adesão exigido para o procedimento avançar.

Uma maioria pode esconder situações diferentes

O risco apontado pela promotoria é concreto: uma votação global pode impor perdas a credores de uma empresa solvente, capaz de pagar suas obrigações, por causa de créditos concentrados em outra companhia do grupo. A soma das dívidas não revela, sozinha, quem tem condições de pagá-las.

Segundo as informações apresentadas pelas próprias empresas e citadas pelo órgão, New Toys, PBKids e Ri Happy têm focos distintos: importação, primeira infância e varejo amplo. Para o Ministério Público, a existência de dívidas cruzadas também não basta para justificar a unificação patrimonial. O órgão, porém, admite essa possibilidade após perícia.

Para bancos e fabricantes que forneceram produtos ao grupo, a diferença está em quais patrimônios e dívidas serão considerados na negociação de seus créditos. Uma análise individual pode preservar essa distinção; uma unificação devidamente fundamentada pode permitir tratamento conjunto. O benefício de coordenar a reestruturação depende, portanto, de não transformar empresas economicamente diferentes em uma maioria apenas aritmética.

📊 Número do Dia

R$ 827,4 milhões : Dívidas que o grupo Ri Happy tenta renegociar no pedido de recuperação extrajudicial noticiado em outubro de 2026.

Por que isso importa

A forma de reunir empresas e contar o apoio dos credores pode alterar quem assume perdas na renegociação. O parecer busca preservar a distinção entre patrimônios antes de autorizar seu tratamento conjunto.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/mp-opina-a-favor-de-recuperacao-extrajudicial-da-ri-happy-mas-recomenda-pericia.shtml