O avanço paulista concentrou 439,5 mil dos 599 mil metros quadrados de absorção líquida registrados no país no trimestre. Esse indicador mede a área ocupada descontadas as devoluções. No estado, a parcela de espaços vagos caiu de 3,9% para 2,7%, mesmo com a entrega de 259,4 mil metros quadrados de novos galpões no período.
O comércio eletrônico teve papel importante nessa procura. Segundo a Folha de S.Paulo, o Mercado Livre apareceu em seis das nove maiores locações listadas pela Cushman & Wakefield, somando cerca de 248 mil metros quadrados. O volume equivale a aproximadamente 31% de toda a área alugada no país no trimestre, uma medida diferente da absorção líquida, que desconta as devoluções.
Menos opções, maior poder de negociação
Para empresas que precisam armazenar e distribuir mercadorias, a disponibilidade de galpões influencia tanto a escolha da localização quanto a negociação do aluguel. Quando sobram poucos imóveis adequados, o proprietário pode ganhar margem para pedir mais. A empresa interessada, por sua vez, precisa avaliar se uma alternativa mais barata compensa eventuais custos adicionais de transporte.
No mercado paulista, o preço médio anunciado passou de R$ 32,62 para R$ 37,42 por metro quadrado. São valores pedidos pelos proprietários para áreas vagas, não aluguéis efetivamente contratados. A composição da oferta também importa: a consultoria atribui parte da alta em Cajamar à entrada de área disponível em um empreendimento caro. Portanto, a média não significa que todos os imóveis tenham encarecido na mesma proporção.
A oferta prevista pode mudar a negociação
A escassez tampouco é uniforme. Jundiaí registrou vacância de apenas 0,1%, enquanto Guarulhos chegou a 4%, após devoluções e a entrega de um empreendimento sem ocupante. Essa diferença mostra por que a taxa estadual não substitui a avaliação de cada localização.
Segundo a Cushman, São Paulo deve receber quase 700 mil metros quadrados até o fim de 2026, além de 462 mil em 2027. São entregas previstas, não espaços já disponíveis. Se forem concluídas e ampliarem as opções nas regiões procuradas, poderão limitar o poder dos proprietários de elevar preços. O resultado dependerá do encontro entre esses novos galpões e a procura: construir mais oferece alívio apenas onde as empresas encontram localização e condições adequadas à operação.
📊 Número do Dia
2,7% : Taxa de vacância dos galpões logísticos de alto padrão em São Paulo no terceiro trimestre de 2026, ante 3,9% no trimestre anterior.
Por que isso importa
A menor disponibilidade de galpões pode fortalecer os proprietários na negociação e elevar custos de ocupação das empresas. As entregas previstas podem ampliar alternativas, dependendo da localização e da procura.
