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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Incentivos empresariais precisam de resultado, não apenas apoio político

Em coluna publicada na Folha de S.Paulo em 20 de outubro de 2026, a economista Deborah Bizarria defende que o debate econômico vá além do equilíbrio das contas públicas. Entre suas propostas está condicionar a renovação de incentivos empresariais a ganhos de produtividade.

Deborah Bizarria defende vincular incentivos empresariais à produtividade. Veja por que apoio político e benefícios privados não comprovam ganhos coletivos.

O ponto de partida da coluna é o desabafo do ex-candidato Renan Santos sobre o fraco desempenho de seu partido, o Missão, apesar da elaboração de propostas. Bizarria usa o episódio para discutir uma tensão concreta: apresentar soluções exige também explicar quais interesses serão contrariados para colocá-las em prática.

Benefício à empresa não equivale a ganho coletivo

Na avaliação da economista, equilibrar as contas públicas é necessário, mas não substitui uma agenda de crescimento. Ela destaca o acesso a insumos e tecnologias, a melhoria da infraestrutura e o espaço para empresas eficientes conquistarem mercados. O objetivo comum é elevar a produtividade: gerar mais valor com os recursos disponíveis.

É nesse ponto que os incentivos empresariais precisam ser examinados. Um benefício pode melhorar a situação de quem o recebe sem produzir uma melhora equivalente para a economia. Se uma proteção mantém recursos em atividades menos eficientes e dificulta a expansão de concorrentes, o favorecimento privado pode vir acompanhado de menor capacidade de produção no conjunto.

A coluna cita uma avaliação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), publicada em 2017, que identificou poucos efeitos positivos e muitos resultados inconclusivos nos programas examinados. Esse recorte não autoriza condenar todo incentivo. Sustenta, porém, a necessidade de testar resultados antes de renovar benefícios, em vez de tratar sua continuidade como escolha automática.

A renovação também é uma escolha política

Bizarria argumenta que o apoio dos setores beneficiados pesa nas decisões dos governantes. Como exemplo, aponta exceções e regimes diferenciados na reforma tributária, incluindo redução de tributos para parques aquáticos. Na leitura da autora, essas concessões mostram como a negociação política pode afastar uma política de seu objetivo de simplificação.

Vincular a renovação a ganhos de produtividade mudaria o critério da discussão: além da capacidade de mobilizar aliados, importaria demonstrar o resultado econômico. Para trabalhadores e consumidores, o benefício potencial depende de empresas produzirem melhor, e não apenas receberem tratamento favorável. A condição decisiva é que a avaliação tenha consequência: se benefícios sem resultado forem preservados por força política, a cobrança por produtividade ficará apenas no discurso.

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Por que isso importa

Incentivos podem favorecer empresas sem gerar ganhos equivalentes para a sociedade. Condicionar sua renovação a resultados coloca produtividade e concorrência no centro da avaliação, em vez de apenas a influência dos beneficiários.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/deborah-bizarria/2026/10/renan-santos-tem-razao.shtml