A coluna publicada pela Folha de S.Paulo em 26 de outubro de 2026 traz dois elementos centrais: o fim da eleição libera espaço político para a agenda da reforma tributária e a alíquota do novo sistema deve ser divulgada ainda nesta semana. O autor também recorda que escreveu seu primeiro texto sobre o tema no jornal em 18 de janeiro de 2000, quando o então presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva, dizia que parar a reforma tributária era burrice. Vinte e seis anos depois, a alíquota ainda não é pública.
Por que a alíquota é a variável decisiva
A alíquota é o preço final da reforma. Em um imposto sobre valor agregado, a base tributável e as exceções definem quanto é preciso cobrar de cada operação para arrecadar o mesmo que o sistema antigo arrecadava. Quanto mais setores recebem regimes especiais, reduções ou isenções, maior precisa ser a alíquota aplicada a quem ficou de fora. É aritmética, não ideologia: alguém sempre paga a conta das exceções concedidas.
Por isso o número tem peso político tão grande. Enquanto ele permanece desconhecido, cada grupo de interesse pode defender seu próprio benefício como se fosse gratuito. Quando o percentual aparece, o custo coletivo das concessões se torna visível, e a negociação muda de natureza.
O calendário eleitoral e o custo do adiamento
A ligação entre eleição e agenda tributária é de incentivos. Decisões que redistribuem carga entre setores produzem perdedores identificáveis e ganhos difusos. Em período eleitoral, o cálculo de curto prazo favorece o adiamento. Terminada a disputa, o custo político de enfrentar temas impopulares cai, o que ajuda a explicar a leitura apresentada pela coluna.
O adiamento, porém, não é neutro. Para empresas, a indefinição sobre a alíquota significa dificuldade de projetar margens, precificar contratos longos e decidir investimentos. Quem planeja uma fábrica, um contrato de serviços de vários anos ou uma expansão de rede precisa saber qual será a carga tributária incidente. Incerteza regulatória funciona como um custo adicional, ainda que invisível no balanço.
O que ainda não está definido
Anunciar uma alíquota não é o mesmo que aplicá-la. O material disponível indica apenas a expectativa de divulgação do número nesta semana, segundo o colunista. Nada no texto recebido permite afirmar qual será o percentual, quem o calculou ou que efeitos terá sobre setores específicos.
A referência de 2000 citada na coluna serve como lembrete útil: a discussão sobre simplificação tributária no Brasil atravessou mais de duas décadas de diagnósticos convergentes e execução lenta. Um sistema mais simples, com menos cumulatividade e regras uniformes, tende a reduzir custo de conformidade e litígio. Mas esse ganho depende de como a transição for efetivamente implementada, e não apenas do anúncio de um número.
📊 Número do Dia
18 de janeiro de 2000 — Data do primeiro texto do colunista da Folha de S.Paulo sobre reforma tributária, citando o então presidente da Fiesp. A alíquota do novo sistema só deve ser conhecida nesta semana, em outubro de 2026.
Por que isso importa
A alíquota define quanto cada empresa e cada consumidor pagará no novo sistema e revela o custo agregado das exceções concedidas durante a negociação. Enquanto o número permanece desconhecido, empresas têm dificuldade de projetar margens e decidir investimentos de longo prazo, e a incerteza funciona como custo adicional para quem produz.
