Pular para o conteúdo
terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Venezuela atrai aéreas, mas retomada depende de aeroportos

Companhias aéreas voltaram a considerar conexões com a Venezuela diante da reabertura de canais diplomáticos, segundo reportagem da Reuters publicada pela Folha de S.Paulo. O interesse, porém, ainda esbarra em obstáculos aeroportuários e regulatórios apontados por executivos do setor.

Aéreas avaliam voltar a crescer na Venezuela, mas aeroportos danificados e regras desatualizadas dificultam transformar interesse em novas conexões.

A LATAM expressou otimismo com a melhora das relações entre o Chile, onde fica sua sede, e a Venezuela. Seu diretor-executivo, Roberto Alvo, afirmou que avaliará oportunidades conforme as condições melhorarem, mas não anunciou rotas adicionais. Essa distinção separa a disposição de voltar a crescer de uma decisão efetiva de ampliar a oferta de voos.

O aeroporto vem antes da expansão

Segundo Peter Cerda, diretor da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta), a prioridade imediata é reconstruir a estrutura de aviação venezuelana. Em entrevista coletiva no domingo (18), ele afirmou que terremotos em junho danificaram o principal aeroporto internacional do país, em Maiquetía, nos arredores de Caracas.

O mecanismo econômico é concreto: a aproximação diplomática pode facilitar conexões, mas não substitui a capacidade física de receber voos. Para transformar interesse em operação, as empresas precisam conseguir utilizar a infraestrutura aeroportuária. Se essa capacidade estiver comprometida, a expansão pode ser limitada mesmo quando há disposição comercial para explorar o mercado.

Executivos também apontaram um marco regulatório desatualizado como obstáculo. A reportagem não detalha quais regras estão em discussão. Por isso, não cabe atribuir o entrave a uma exigência específica nem estimar o ganho de uma eventual mudança. O ponto documentado é que recuperar aeroportos não esgota as condições consideradas necessárias pelo setor.

Mais interessados não significam mais voos

Cerda disse que empresas dos Estados Unidos, da Europa e do Oriente Médio também voltaram a considerar a Venezuela. Esse interesse amplia o conjunto de possíveis concorrentes, mas só se transforma em concorrência efetiva quando resulta em serviços disponíveis aos passageiros.

Para o Brasil, a consequência possível passa pela conectividade regional. Se a recuperação viabilizar ligações com aeroportos brasileiros, passageiros e empresas poderão ganhar alternativas de deslocamento. O material, contudo, não registra anúncio de novas rotas envolvendo o país.

A localização venezuelana oferece potencial de longo prazo na avaliação de Cerda. Para aproveitá-lo, a abertura diplomática precisa encontrar aeroportos capazes de sustentar a operação e condições regulatórias que permitam a entrada das companhias. Sem essa combinação, o interesse empresarial permanece uma possibilidade comercial, não uma ampliação da oferta.

📊 Número do Dia

:

Por que isso importa

A recuperação da aviação venezuelana pode ampliar as conexões regionais, mas o efeito sobre passageiros e empresas depende de infraestrutura operacional e da transformação do interesse das companhias em voos efetivos.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/companhias-aereas-voltam-a-olhar-para-a-venezuela-mas-veem-obstaculos.shtml