Os voos são pagos pelo Orçamento Geral da União, conforme informa a Revista Oeste. A questão econômica é avaliar o que a presença do ministro acrescenta ao serviço público e se esse benefício justifica os recursos empregados no deslocamento. Uma entrega de obra, uma vistoria e uma entrevista não respondem a essa pergunta da mesma maneira.
A obra entregue não é resultado do voo
Entre os compromissos relatados, o ministro dos Transportes, George Santoro, participou da liberação de 10 quilômetros duplicados da BR-116, na Bahia, em 23 de setembro. Uma semana depois, esteve na entrega de outros 12 quilômetros da BR-304, em Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Uma rodovia duplicada pode melhorar o transporte de pessoas e mercadorias. Esse benefício, porém, decorre da infraestrutura disponível. O retorno da obra e o retorno da viagem são avaliações diferentes. Para justificar economicamente o deslocamento, importa identificar uma contribuição da presença da autoridade, como resolver um entrave ou coordenar uma providência, se isso efetivamente ocorrer.
A distinção também vale para a saúde. A reportagem relata que Alexandre Padilha participou da vistoria de 120 veículos destinados a Belo Horizonte. Vistoriar equipamentos não equivale a demonstrar que eles entraram em operação, nem permite atribuir à viagem uma melhora no atendimento.
Presença física precisa acrescentar valor
O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, viajou a Macapá em aeronave da FAB para entrevistas a emissoras de rádio e televisão. Informar a população pode ter utilidade pública. A análise do deslocamento exige comparar o benefício da presença física com outras formas de realizar a comunicação.
O mecanismo é o custo de oportunidade: recursos usados em uma viagem deixam de estar disponíveis para outro emprego. O material não apresenta valores dos voos, totais comparáveis entre períodos ou resultados atribuíveis aos deslocamentos. Assim, a ampliação relatada não permite calcular o impacto fiscal nem concluir que houve desperdício ou irregularidade.
A coincidência com a campanha torna essa separação especialmente relevante, mas não comprova finalidade eleitoral. Se a presença do ministro destrava uma entrega ou melhora uma decisão, pode produzir benefício público. Se apenas acompanha um resultado que ocorreria sem ela, a obra continua valiosa, mas não justifica, por si, o custo da viagem.
📊 Número do Dia
10 quilômetros : Trecho duplicado da BR-116, na Bahia, liberado em 23 de setembro, em agenda com participação do ministro dos Transportes, segundo a reportagem.
Por que isso importa
Como os voos usam recursos públicos, seu benefício precisa ser avaliado separadamente do valor das obras ou dos equipamentos visitados. A presença de uma autoridade pode contribuir para uma entrega, mas essa contribuição não é automática.
Fonte original: https://revistaoeste.com/politica/ministros-intensificam-voos-da-fab-durante-campanha-presidencial/
