O compromisso de compra ajudará a financiar a recuperação de 8.700 hectares de pastagens degradadas e semidegradadas no sudeste da Amazônia e no Cerrado. A área integra um projeto mais amplo, de 50 mil hectares. Segundo a Symbiosis Coalition, por meio da qual foram assumidos os compromissos, a iniciativa converterá essas pastagens em sistemas com diversas espécies de árvores.
Uma receita contratada para sustentar o investimento
O modelo é chamado de silvipastoril: árvores e pastagens compartilham o terreno, mantendo espaço para o gado. A Working Trees planta fileiras de espécies nativas e de outras destinadas à produção comercial de madeira. A proposta combina a continuidade da atividade pecuária com a captura de carbono pelas árvores.
O mecanismo econômico começa no prazo do contrato. Plantar árvores exige recursos antes que elas cresçam e gerem as receitas esperadas. Ter compradores comprometidos por dez anos pode reduzir a incerteza sobre a demanda pelos créditos e facilitar a decisão de investir. Isso não equivale a receber antecipadamente todo o dinheiro: o fato documentado é o compromisso de compra, não o desembolso integral nem a remoção já realizada.
Leif Gonzales-Kramer, presidente-executivo da Working Trees, afirmou que compromissos de longo prazo são fundamentais para viabilizar investimentos desse tipo. O acordo procura conectar empresas que buscam cumprir metas climáticas a uma mudança no uso produtivo de pastagens brasileiras.
O incentivo precisa durar além dos créditos
A Working Trees afirma que o sistema aumenta a produtividade da pecuária e gera receitas futuras com madeira. São benefícios apresentados pela empresa, não resultados quantificados para a área agora apoiada. Se essas receitas se concretizarem, poderão dar aos proprietários uma razão econômica para conservar o sistema mesmo quando diminuir a renda dos créditos.
Essa combinação importa porque a permanência das árvores depende também das escolhas de quem utiliza a terra. Se o sistema continuar economicamente atraente, a conservação poderá fazer parte da atividade produtiva, em vez de depender apenas da remuneração pelo carbono.
Para os compradores, porém, financiar a mudança só produzirá o benefício climático pretendido se a remoção contratada efetivamente ocorrer e for mantida. O potencial do acordo está em usar demanda de longo prazo para sustentar uma transformação duradoura nas pastagens, não em tratar o volume comprado como carbono já retirado da atmosfera.
📊 Número do Dia
320 mil toneladas métricas : Volume de créditos de remoção de carbono que Google e McKinsey concordaram em comprar ao longo de dez anos.
Por que isso importa
Contratos de longo prazo podem tornar mais previsível a receita de projetos que integram árvores e pecuária. O resultado econômico e climático dependerá da execução e dos incentivos para manter esses sistemas nas propriedades.
