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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Crise do açúcar na Índia pressiona mercado global

A Índia abriu seu mercado às importações de açúcar diante da pressão sobre os preços e do temor de uma safra ruim. Segundo reportagem do The New York Times publicada pela Folha de S.Paulo em 19 de outubro de 2026, a mudança em um país normalmente exportador aumentou a pressão sobre as cotações globais.

Seca e demanda por etanol pressionam o açúcar na Índia. Importações ampliam a pressão global, com possíveis efeitos para exportadores e consumidores no Brasil.

A Índia é a maior consumidora de açúcar do mundo e a segunda maior produtora, segundo a reportagem. Essa combinação dá alcance internacional à crise de seus canaviais: quando o país precisa comprar no exterior, acrescenta demanda a um mercado já afetado pelo calor e pela seca em regiões produtoras.

A mesma cana abastece mesas e motores

A escassez encontra uma demanda que não vem apenas dos alimentos. O governo indiano tornou obrigatória a mistura de 20% de etanol à gasolina. A política criou uma fonte adicional de receita para as usinas e, segundo o governo, reduziu a necessidade de petróleo, as emissões e os gastos em moeda estrangeira.

O benefício energético, porém, convive com uma restrição agrícola. Quando a disponibilidade de cana diminui, atender à demanda por combustível pode tornar mais difícil ampliar a oferta de açúcar. Isso não significa que toda alta decorra do etanol: a reportagem documenta perdas nas lavouras e custos elevados de fertilizantes, que também pressionam a produção.

O incentivo esbarra na falta de água

Na região de Marathwada, os preços garantidos aos agricultores, a presença de usinas e a perspectiva de lucros relativamente altos ajudam a explicar a atração pela cana. Mas a cultura exige muita água. A reportagem relata poços mais profundos e esgotamento de aquíferos locais, fontes subterrâneas que abastecem a irrigação.

O agricultor Ganesh Gomare ampliou a área dedicada à cana, mas esperava colher metade do volume normal. A estimativa é individual, não uma projeção para toda a Índia. Seu caso ilustra a tensão: o incentivo econômico para plantar não elimina o limite físico que determina quanto poderá ser colhido.

Como a pressão pode alcançar o Brasil

Para o Brasil, o canal econômico é o preço internacional. Se a procura indiana sustentar cotações mais altas, exportadores brasileiros podem encontrar oportunidades de receita. O ganho dependerá, porém, do volume disponível para venda e dos custos de produção, não apenas do preço anunciado no mercado.

Para consumidores e empresas que usam açúcar, o efeito pode seguir a direção oposta, caso a valorização externa chegue aos preços domésticos. A reportagem não mede esse repasse no Brasil. A consequência central é essa exposição desigual: a mesma pressão internacional pode favorecer vendedores e encarecer a matéria-prima de compradores, conforme alcance os contratos e a oferta local.

📊 Número do Dia

20% : Mistura de etanol à gasolina tornada obrigatória pelo governo indiano, segundo a reportagem publicada em outubro de 2026.

Por que isso importa

A entrada da Índia no mercado importador amplia a pressão sobre o açúcar global. Se essa valorização alcançar o Brasil, pode beneficiar exportadores e elevar custos de empresas que utilizam o produto.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/crise-global-do-acucar-afeta-producao-e-consumo-na-india.shtml