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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Dívida e trabalho instável entram na leitura da eleição

O economista britânico Guy Standing avalia que a eleição presidencial brasileira de 2026 é a primeira do país marcada pelo protagonismo do precariado. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele relaciona esse grupo à instabilidade do trabalho, ao endividamento e à perda de segurança sobre o futuro.

Guy Standing associa trabalho instável e endividamento à insegurança econômica e interpreta o peso do precariado na eleição brasileira de 2026.

O centro da interpretação de Standing é uma distância entre desempenho econômico e segurança pessoal. Na entrevista à Folha de S.Paulo, o pesquisador considera que a economia brasileira apresenta desempenho bastante bom, mas argumenta que isso não elimina a vulnerabilidade dos trabalhadores que chama de precariado. Trata-se de uma leitura do economista sobre a eleição, não de uma relação causal demonstrada por dados eleitorais apresentados na entrevista.

Trabalho instável, compromissos que permanecem

Na definição de Standing, o precariado depende do trabalho assalariado, enfrenta ocupações inseguras e tem acesso frágil a benefícios e direitos. O conceito não se resume ao trabalho por aplicativos. Ele também distingue esse grupo de pessoas que trabalham por conta própria ou mantêm uma pequena produção, evitando tratar toda atividade informal como uma mesma experiência econômica.

A dívida ajuda a entender o mecanismo proposto. Quando a renda oscila, as obrigações financeiras não diminuem automaticamente. Se o trabalhador perde receita e não dispõe de proteção suficiente, o pagamento das parcelas passa a disputar espaço com as despesas essenciais. Um acidente ou uma doença pode ampliar esse desequilíbrio, risco destacado pelo entrevistado.

Essa exposição pode afetar decisões mesmo antes de uma perda efetiva de renda. Quem teme não conseguir cumprir compromissos pode restringir gastos para preservar recursos. Assim, uma melhora da atividade econômica não significa, por si só, que todas as famílias tenham adquirido capacidade de atravessar um período sem trabalho.

Da insegurança à representação política

Standing sustenta que o endividamento crônico alimenta ressentimento e enfraquece a expectativa de melhora. Mas sua própria descrição rejeita um comportamento eleitoral uniforme: ele diferencia uma parcela menos escolarizada, atraída por promessas de retorno a um passado idealizado, de outra mais escolarizada, insatisfeita com as alternativas políticas existentes.

A distinção importa porque impede transformar uma condição econômica em destino eleitoral. Na hipótese apresentada, o caminho passa pela percepção de abandono e pela oferta de representação política. Dívida ou instabilidade, isoladamente, não determinam o voto.

A consequência econômica dessa leitura é concreta: se a melhora da economia não alcançar a regularidade da renda e a capacidade de enfrentar imprevistos, parte dos trabalhadores pode continuar sem perceber segurança no cotidiano. É essa distância, e não apenas o desempenho agregado, que a interpretação de Standing coloca no centro da disputa política.

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Por que isso importa

Uma economia em melhora pode conviver com famílias financeiramente vulneráveis. Na interpretação de Standing, a distância entre atividade econômica e segurança da renda ajuda a compreender a insatisfação política.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/brasil-vive-primeira-eleicao-do-precariado-diz-economista-britanico.shtml