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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Seca ameaça capacidade de transporte nas hidrovias brasileiras

As principais hidrovias da Amazônia e do Pantanal entraram em alerta devido à seca, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Um relatório do Ministério de Portos e Aeroportos retrata a situação em 30 de setembro, com referências consultadas até 5 de outubro.

Seca põe hidrovias da Amazônia e do Pantanal em alerta. Restrições de carga podem elevar custos de transporte em rotas de abastecimento e exportação.

No rio Madeira, a estação de Porto Velho registrou 3,07 metros em 30 de setembro, após queda de 1,37 metro durante o mês. O patamar ficou abaixo dos 4 metros usados como referência para início de restrições, mas acima dos 2 metros associados à parada da navegação. O alerta não equivale a uma declaração formal de emergência nem à suspensão do tráfego.

A relevância econômica dessa diferença aparece na carga transportada: a hidrovia movimentou 12,1 milhões de toneladas de soja e milho em 2025. Além de conectar a produção agrícola do Centro-Oeste ao rio Amazonas, o Madeira leva combustíveis e produtos essenciais a municípios ribeirinhos, conforme o ministério informou à Folha de S.Paulo.

Menos carga pode elevar o custo por viagem

Quando a água baixa e limita a passagem das embarcações, uma possível resposta é reduzir a carga transportada. Se isso ocorrer, uma mesma quantidade de mercadorias poderá exigir mais viagens. Como parte das despesas de cada percurso permanece, o custo por tonelada pode subir. A pasta afirma que, ao atingir o nível mínimo, avalia a necessidade de aliviar cargas ou interromper operações.

No Tapajós, a preocupação inclui a possível transferência de cargas para caminhões, com aumento de custos. A rota recebeu 2,38 milhões de toneladas no primeiro bimestre de 2026, das quais 86% eram soja e milho, segundo o ministério. Para produtores e compradores, o efeito dependerá da intensidade das restrições e da capacidade de absorver ou repassar despesas adicionais. Não há, nesses dados, comprovação de alta de preços ao consumidor.

Manutenção ajuda, mas os rios têm condições distintas

O ministério informa manter contratos de dragagem no Madeira, Amazonas, Solimões e Paraguai. O serviço retira sedimentos de trechos que podem prejudicar a passagem, sem aprofundar o leito. No Tapajós, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes cancelou em setembro uma licitação após avaliação técnica e diálogo com povos indígenas e comunidades tradicionais contrárias às intervenções.

As perspectivas também variam: há previsão de início da subida das águas no Madeira em outubro, enquanto o relatório mantém o diagnóstico de seca extrema na bacia do Paraguai. Preservar a capacidade de transporte depende de as condições de cada trecho permitirem viagens com carga suficiente. Se a navegação continuar apenas com embarcações menos carregadas, manter a rota aberta poderá evitar a interrupção do abastecimento, mas não necessariamente o encarecimento do frete.

📊 Número do Dia

3,07 metros : Nível do rio Madeira em Porto Velho em 30 de setembro de 2026, abaixo dos 4 metros usados como referência para início de restrições à navegação.

Por que isso importa

Restrições de carga podem exigir mais viagens ou deslocar mercadorias para caminhões, pressionando custos em rotas que abastecem comunidades e escoam a produção agrícola.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/infraestrutura/2026/10/seca-deixa-hidrovias-da-amazonia-e-do-pantanal-em-situacao-de-alerta.shtml