No Brasil, a trajetória de Diogo Pires mostra que uma coleção pode se transformar em patrimônio. Cofundador da Liga Pokémon, plataforma especializada na negociação dessas cartas, ele vendeu parte de seu acervo a um colecionador da Nova Zelândia por US$ 20 mil em 2018, cerca de R$ 73 mil na cotação média daquele período. O dinheiro ajudou a comprar uma casa, relata a Folha de S.Paulo.
O próprio Pires, porém, atribui o resultado à sorte de ter colecionado algo que se valorizou. Essa distinção importa: o prazer de guardar um objeto existe independentemente da revenda; o ganho financeiro exige encontrar alguém disposto a pagar mais por ele.
A raridade não se distribui por toda a coleção
A carta milionária tem características particulares. Produzida em 1998 como prêmio de um concurso de ilustração, a Pikachu Illustrator teve apenas 39 cópias originalmente distribuídas. O exemplar vendido é o único conhecido com nota máxima da certificadora americana citada pela reportagem.
Na outra ponta, a maioria das cartas tem baixo valor de mercado, com exemplares anunciados a partir de R$ 0,25 na Liga Pokémon. Novas expansões chegam a cada dois ou três meses, com centenas de modelos. Os pacotes vendidos ao público não revelam previamente quais cartas contêm. Comprar um pacote, portanto, não equivale a comprar uma raridade identificada.
O preço depende da combinação entre oferta e procura por cada exemplar. Raridade, conservação, popularidade do personagem e utilidade nos torneios podem influenciar essa procura, segundo os profissionais ouvidos pela Folha. O crescimento do interesse pela franquia não demonstra que todas as cartas se valorizarão: exemplares diferentes disputam compradores por razões diferentes.
Preço anunciado não é dinheiro disponível
É nesse ponto que entra a liquidez, a facilidade de transformar o item em dinheiro. A educadora financeira Cássia D’Aquino explica à reportagem que uma carta anunciada por R$ 10 mil pode não encontrar comprador nesse valor. Se o dono precisar vender rapidamente, poderá ter de aceitar menos.
Para o colecionador brasileiro que também espera lucrar, a tensão está entre conservar um objeto desejado e depender de uma negociação futura. Uma venda excepcional comprova o valor alcançado por aquele exemplar, não o retorno de uma coleção inteira. O ganho só se concretiza quando o interesse de outro comprador se transforma em pagamento.
📊 Número do Dia
R$ 86 milhões : Valor equivalente, na cotação da época, aos US$ 16,5 milhões pagos por uma carta Pikachu Illustrator em leilão em fevereiro de 2026.
Por que isso importa
A expectativa de valorização pode levar colecionadores a comprometer dinheiro com cartas cuja revenda depende da procura por cada exemplar. Preços excepcionais não garantem que outros itens encontrem compradores ou possam ser vendidos rapidamente.
