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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Combustível caro põe expansão das aéreas sob pressão

Companhias aéreas preparam novos aumentos de tarifas e revisões de seus planos de expansão diante da alta do combustível. Em reportagem do Financial Times publicada pela Folha de S.Paulo em 17 de outubro de 2026, executivos alertam que a resistência dos passageiros a novos reajustes pode limitar a reação do setor.

Combustível caro pressiona tarifas e planos de expansão das aéreas. Grupo que reúne Gol e Avianca vê impacto no crescimento, enquanto a demanda resiste.

A tensão já alcança empresas com presença no mercado brasileiro. Adrian Neuhauser, presidente do Grupo Abra, que reúne Gol e Avianca, afirmou que a pressão sobre os custos afeta os planos de crescimento. Sua avaliação é que o setor ficará menor do que seria em outras circunstâncias, não que uma redução geral da operação já tenha ocorrido.

Passageiros ainda sustentam a receita

Por enquanto, o movimento de reservas contrasta com o receio dos executivos. Segundo estimativa da empresa de dados OAG citada na reportagem, foram feitas 2,3 bilhões de reservas no primeiro semestre de 2026, alta de 1% sobre igual período do ano anterior. As tarifas tiveram aumentos anuais de dois dígitos em quase todos os meses de 2026.

Roberto Alvo, presidente da Latam, descreveu a situação como um problema de custos, e não de demanda. A distinção importa: passageiros continuam comprando, mas isso não garante que a receita adicional cubra o encarecimento da operação. Tampouco demonstra que aceitarão indefinidamente novas altas.

O limite do repasse às passagens

A reportagem relaciona o choque do combustível à guerra no Irã. Executivos passaram a trabalhar com a perspectiva de energia cara por mais tempo. Algumas empresas também esperam perder a proteção de contratos que amorteceram o impacto inicial, ficando mais expostas aos preços do combustível.

Repassar custos depende da disposição e da capacidade de pagar dos passageiros. Se as passagens subirem além desse limite, parte dos clientes pode adiar ou abandonar viagens. Se a energia mais cara também pressionar outros gastos das famílias, haverá menos renda disponível para voar. Esse enfraquecimento é um risco apontado pelos executivos, não um resultado já demonstrado pelos dados apresentados.

Renovar a frota pode substituir a expansão

Com combustível caro, reduzir tarifas para atrair clientes pode comprimir ainda mais o que sobra da receita depois das despesas. A alternativa passa por ajustar custos e investimentos. A Latam já utiliza algumas aeronaves antigas em rotas menos frequentes para economizar combustível, segundo Alvo.

Para o mercado brasileiro, o alerta do grupo que reúne a Gol é concreto: se o custo adicional não couber nas tarifas, a expansão pode perder espaço para a economia operacional. Nesse cenário, receber aviões novos pode servir à substituição de modelos menos eficientes, em vez de ampliar a oferta de voos.

📊 Número do Dia

2,3 bilhões de reservas : Estimativa da OAG para o primeiro semestre de 2026, alta de 1% sobre o mesmo período de 2025, citada na reportagem.

Por que isso importa

O combustível mais caro pressiona as companhias a elevar tarifas, mas a capacidade de pagamento dos passageiros limita esse repasse. Se a receita não acompanhar os custos, planos de expansão podem dar lugar à contenção de despesas.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/companhias-aereas-preveem-anos-dificeis-com-alta-de-custos-e-temor-de-inflacao.shtml