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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Quiroga elogia mudanças tributárias e prevê disputas sobre subvenções

O tributarista Roberto Quiroga Mosquera avalia que mudanças tributárias da gestão Lula-Fernando Haddad melhoraram o sistema, mas prevê disputas sobre medidas que considera apenas arrecadatórias. A avaliação foi publicada pela Folha de S.Paulo em 17 de outubro de 2026.

Roberto Quiroga elogia mudanças tributárias, mas prevê disputas sobre subvenções estaduais. Veja os efeitos possíveis sobre concorrência e investimentos.

O contraste traçado por Quiroga separa duas questões: reduzir diferenças no tratamento dos contribuintes e ampliar a receita pública. Uma mudança pode fazer as duas coisas, mas arrecadar mais, por si só, não demonstra melhora na qualidade dos impostos. Na entrevista à Folha de S.Paulo, o advogado atribui méritos a parte das alterações e faz ressalvas a outras.

Entre os avanços, ele cita a reforma tributária, mudanças na tributação de fundos exclusivos e aplicações no exterior, além da correção da tabela do Imposto de Renda acompanhada da tributação de dividendos, a parcela do lucro distribuída aos acionistas. Também menciona normas sobre imposto mínimo global e preços de transferência, que, em sua avaliação, aproximam o Brasil dos padrões internacionais.

Fechar brechas pode mudar a concorrência

Quiroga afirma perceber diminuição dos planejamentos tributários e considera que as principais brechas foram fechadas. Essa é a avaliação do entrevistado, não uma medição dos resultados das mudanças. Planejamento tributário é a organização de operações para reduzir o imposto devido; não significa, por definição, sonegação.

O efeito econômico depende de quais diferenças são eliminadas. Se uma brecha permite que negócios semelhantes paguem impostos distintos apenas pela estrutura jurídica adotada, fechá-la pode reduzir a vantagem de quem consegue explorá-la. A competição passa a depender menos dessa diferença tributária e pode dar mais peso a preço, qualidade e eficiência. Isso não exige tratar toda redução de imposto como privilégio.

Subvenções concentram o alerta jurídico

Na outra ponta, Quiroga classifica como arrecadatórios o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o corte de benefícios fiscais que incluiu o lucro presumido e a tributação das subvenções para investimento concedidas pelos estados. Sobre estas últimas, prevê o maior foco de disputas tributárias dos próximos anos. Trata-se de uma projeção, não de um volume de processos já observado.

Se houver controvérsia sobre a tributação desses incentivos, empresas podem enfrentar custos para interpretar regras, defender posições e estimar quanto terão de pagar. A incerteza também dificulta calcular o retorno de investimentos. O contraste relevante, portanto, está no resultado: fechar brechas pode tornar a concorrência mais equilibrada; ampliar a cobrança sob disputa pode elevar custos sem entregar a mesma previsibilidade.

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Por que isso importa

Mudanças tributárias podem reduzir vantagens entre contribuintes, mas regras sujeitas a disputa também podem elevar custos jurídicos e dificultar o cálculo do retorno dos investimentos.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/10/medidas-tributarias-da-atual-gestao-promoveram-justica-fiscal-e-fecharam-brechas-diz-tributarista-roberto-quiroga.shtml