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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Quando a empresa depende demais de quem a comanda

Em coluna publicada na Folha de S.Paulo em 16 de outubro de 2026, a empresária Renata Vichi defende que dirigentes planejem a própria vida com o mesmo rigor dedicado à empresa. Seu argumento conecta o cuidado pessoal à capacidade de decidir e preparar a continuidade do negócio.

Renata Vichi relaciona planejamento pessoal e gestão empresarial. Veja como delegação e sucessão podem reduzir a dependência de um único dirigente.

Vichi, empresária e conselheira do Grupo CRM, dono de Kopenhagen, Chocolates Brasil Cacau e Kop Koffee, parte de um contraste: metas, orçamento e expansão recebem atenção organizada, enquanto saúde e relações pessoais podem ficar para depois. A coluna apresenta uma reflexão baseada em sua experiência, não um levantamento sobre o comportamento dos empresários.

O tempo do dirigente também tem custo

A questão econômica começa por um recurso limitado: o tempo de quem conduz o negócio. Reservar horas para uma tarefa significa abrir mão de outro uso possível. Esse é o custo de oportunidade. No caso discutido pela autora, a dedicação ao trabalho pode ocupar o espaço do descanso, dos cuidados pessoais e da convivência familiar.

Segundo Vichi, quando o líder adoece, se isola ou perde o sentido do trabalho, a urgência passa a ocupar o lugar da visão de longo prazo. O mecanismo é relevante: se decisões importantes dependem dessa pessoa, uma redução em sua capacidade de avaliar alternativas pode atingir a gestão. Isso não equivale a demonstrar perdas financeiras, que a coluna não quantifica.

Delegar reduz a dependência de uma pessoa

É nesse ponto que o planejamento pessoal encontra a organização da empresa. A autora recomenda preparar a própria ausência, delegar e formar pessoas. Distribuir responsabilidades pode permitir que decisões avancem sem esperar sempre pelo mesmo dirigente. Para funcionar, porém, a delegação precisa vir acompanhada de preparo e de espaço efetivo para decidir.

Essa mudança tem um custo imediato: formar alguém e transferir responsabilidades exige atenção de quem já está sobrecarregado. O benefício possível aparece depois, quando a operação passa a depender menos de sua presença. A sucessão deixa, assim, de ser apenas a escolha de um substituto e passa a envolver a construção dessa capacidade.

Vichi destaca especialmente empresas familiares e lideradas por fundadores. Nelas, o ponto de sua proposta não é opor vida pessoal e desempenho empresarial. É reconhecer que cuidar do dirigente e preparar outras pessoas são medidas complementares: se o negócio consegue funcionar durante sua ausência, abre-se espaço para preservar sua capacidade de conduzi-lo no longo prazo.

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Por que isso importa

Quando decisões dependem excessivamente de um dirigente, limitações pessoais podem se tornar limitações da empresa. Formar pessoas e delegar pode reduzir essa dependência e favorecer a continuidade do negócio.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/renata-vichi/2026/10/sua-empresa-tem-planejamento-estrategico-e-voce.shtml