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domingo, 25 de outubro de 2026 Brasil

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Índia busca fábricas; Brasil vende sobretudo matérias-primas

A Índia tenta ampliar sua indústria com incentivos à produção e um programa de parques industriais criado em março de 2026, segundo a Folha de S.Paulo. Para o Brasil, a aproximação ocorre com exportações em alta, mas concentradas em petróleo e outras matérias-primas.

Índia incentiva fábricas e amplia comércio com o Brasil. Exportações brasileiras crescem, mas petróleo domina vendas e ganhos industriais dependem de execução.

A conexão econômica está nas necessidades da fábrica. Para transformar sua capacidade em software em produção de chips, eletrônicos e outros bens, a Índia precisa de equipamentos, energia e matérias-primas. O Brasil já participa dessa relação comercial, mas o crescimento das vendas brasileiras ainda não demonstra que o projeto industrial indiano tenha provocado esse avanço.

Comércio cresce com petróleo à frente

Segundo a Folha de S.Paulo, as exportações brasileiras para a Índia dobraram nos oito primeiros meses de 2026, chegando a US$ 7,3 bilhões. As importações de produtos indianos ficaram estáveis, em US$ 5,2 bilhões. A corrente de comércio, soma das vendas e compras entre os países, alcançou US$ 12,5 bilhões, alta de 42% sobre o mesmo período de 2025.

Mais da metade das vendas brasileiras à Índia é de petróleo bruto. Produtos agrícolas e minerais dominam o restante. Na direção contrária, o Brasil compra medicamentos, produtos químicos, defensivos agrícolas, derivados de petróleo, autopeças e máquinas. Essa composição importa: ampliar o comércio pode beneficiar fornecedores brasileiros sem necessariamente diversificar aquilo que o país exporta.

Da infraestrutura pronta à demanda por insumos

O esforço indiano tem uma base concreta. Em março de 2026, foi criado um programa que reservou cerca de US$ 4 bilhões para cem parques industriais. A proposta é oferecer galpões, energia, água e licenças rápidas, reduzindo o intervalo entre a decisão de investir e o início da produção. A reserva de recursos não equivale à entrega dos parques.

Reduzir o custo de instalar uma fábrica pode viabilizar investimentos antes pouco atraentes. Se os empreendimentos entrarem em operação, poderão ampliar a demanda por insumos. Para os exportadores brasileiros, porém, a oportunidade depende de oferecer os materiais necessários com preço, qualidade e regularidade competitivos, não apenas de existir uma aproximação diplomática.

A expansão tampouco está garantida pelos incentivos. A manufatura indiana cresceu 10,7% em 2025, mas representou 15% da economia, participação praticamente igual à de três anos antes. Aumentar a produção e transformar a estrutura econômica são resultados distintos.

Para o Brasil, o ganho mais imediato pode estar em abastecer essa expansão. Mas vender mais petróleo não é o mesmo que conquistar espaço nas novas cadeias industriais. Esse segundo resultado dependerá da correspondência entre o que as fábricas indianas efetivamente demandarem e o que as empresas brasileiras conseguirem fornecer.

📊 Número do Dia

US$ 7,3 bilhões : Exportações brasileiras para a Índia nos oito primeiros meses de 2026, o dobro do registrado no mesmo período de 2025.

Por que isso importa

A expansão industrial indiana pode abrir mercado para fornecedores brasileiros de insumos, mas o aumento atual das exportações permanece concentrado em matérias-primas e não comprova diversificação comercial.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/depois-do-software-india-quer-descer-da-nuvem-para-o-chao-de-fabrica.shtml