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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Energia cara pressiona agricultores e pode encarecer alimentos

A alta de combustíveis e fertilizantes pode agravar a insegurança alimentar mundial nos próximos seis a nove meses, advertiu Álvaro Lario, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida). O alerta foi feito à AFP em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em 16 de outubro de 2026.

Alta da energia pressiona fertilizantes e combustíveis. Alerta do Fida aponta risco para alimentos e expõe os limites da ajuda a agricultores e famílias.

O problema começa antes de a comida chegar ao consumidor. Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, com informações da AFP, o encarecimento dos hidrocarbonetos, associado ao conflito no Oriente Médio, elevou os custos de fertilizantes, combustíveis e transporte neste ano. Isso pressiona tanto a produção agrícola quanto o deslocamento dos alimentos até os mercados.

O custo pode virar menor produção

Para o agricultor, há duas pressões possíveis. Se mantiver o uso de insumos mais caros, precisará de mais recursos para produzir a mesma quantidade. Se reduzir sua utilização para conter despesas, poderá colher menos, dependendo das condições da lavoura. Nesse segundo caminho, o choque de custos pode se transformar também em restrição de oferta, reforçando a pressão sobre os preços.

O Fida aponta os pequenos agricultores como os mais afetados pela alta da energia. Segundo a entidade, eles respondem por um terço da produção mundial de alimentos e por até 70% em vários países em desenvolvimento. Sua capacidade de continuar produzindo importa, portanto, não apenas para a renda rural, mas para o abastecimento.

O repasse ao consumidor não é automático nem uniforme. Depende de quanto produtores e distribuidores conseguem absorver e de como a oferta reage. Para o Brasil, o mecanismo representa um risco: se esses custos pressionarem a produção e a distribuição que abastecem o mercado brasileiro, poderão encarecer a alimentação. O material não mede esse efeito no país.

Ajuda imediata e capacidade de produzir

Os países do G7 se comprometeram em 15 de outubro a mobilizar US$ 2,5 bilhões para países sob risco de insegurança alimentar, com atenção especial aos fertilizantes. Trata-se de um compromisso de recursos, não de um valor comprovadamente desembolsado.

Lario observa que governos podem subsidiar fertilizantes ou combustíveis, dentro dos limites orçamentários. O subsídio reduz o custo para quem recebe, mas transfere parte da despesa ao orçamento público. Já o Fundo Monetário Internacional recomenda transferências focalizadas às famílias vulneráveis e programas de alimentação escolar.

As respostas atuam em pontos diferentes: apoiar famílias preserva sua capacidade de comprar comida; sustentar a produção pode evitar que a oferta recue. Se a energia continuar cara, proteger o consumo sem preservar o abastecimento poderá aliviar a emergência, mas não eliminar a pressão que nasce no campo.

📊 Número do Dia

US$ 2,5 bilhões : Valor que os países do G7 se comprometeram a mobilizar em 15 de outubro de 2026 para países sob risco de insegurança alimentar, com atenção aos fertilizantes.

Por que isso importa

Combustíveis e fertilizantes mais caros podem pressionar os preços dos alimentos e reduzir a produção se agricultores cortarem insumos. Famílias vulneráveis ficam mais expostas, enquanto medidas de apoio exigem recursos públicos.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/apos-choque-energetico-onu-adverte-sobre-possivel-crise-alimentar-mundial.shtml