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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Menos vacas, mais leite: a conta da produtividade brasileira

A produção brasileira de leite atingiu 36,7 bilhões de litros em 2025, alta de 2,7% sobre 2024, mesmo com queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (30).

Produção de leite bate recorde de 36,7 bilhões de litros em 2025 com menor rebanho ordenhado desde 1979. Produtividade sobe 5,6%, aponta o IBGE.

O dado tem uma elegância estatística rara: produção e rebanho leiteiro variaram exatamente 2,7%, mas em direções opostas. O Brasil produziu mais leite com menos animais. A produtividade média subiu 5,6% e alcançou 2.498,7 litros por vaca, recorde da série, segundo o IBGE.

O que significa produzir mais com menos

Produtividade é a razão entre o que se produz e os recursos empregados. Quando ela cresce, o mesmo resultado sai mais barato por unidade, ou um resultado maior sai do mesmo esforço. É o único caminho durável para elevar renda sem simplesmente ampliar área, rebanho ou horas trabalhadas.

O IBGE aponta três explicações para o salto: condições climáticas favoráveis, investimento em melhoramento genético e um processo de otimização e reorganização da base produtiva, que inclui a saída de produtores, sobretudo os menos especializados ou com poucos recursos.

A reorganização tem um custo humano

O terceiro fator merece atenção. O analista da pesquisa, Octavio Costa de Oliveira, afirma que a substituição de produtores ocorre porque a pecuária leiteira exige investimento em mão de obra e tecnologia, e que os grandes produtores têm capacidade para esses investimentos.

Em linguagem econômica, o setor está concentrando produção em unidades mais eficientes. O ganho agregado é real, mas ele não é neutro em termos distributivos: quem sai da atividade não colhe o bônus da produtividade média. A estatística nacional melhora enquanto parte dos produtores encerra a operação. Essa é a face menos confortável de qualquer reorganização produtiva, e vale registrá-la sem transformá-la em argumento contra o próprio ganho de eficiência.

Preço parado, receita em alta

O valor da produção de leite somou R$ 89,5 bilhões em 2025, alta de 2,3% em um ano, em valores do ano de referência, ou seja, sem correção pela inflação. O preço médio pago ao produtor ficou em R$ 2,44 por litro, sem variação frente a 2024.

A combinação é reveladora. Com preço estável, o crescimento da receita veio essencialmente do volume. Para o produtor individual, isso significa que a margem depende cada vez mais do controle de custos e da eficiência, e não de um preço favorável. Para o consumidor, maior oferta interna com preço estável ao produtor é, em princípio, uma notícia benigna, ainda que o preço final na prateleira dependa de industrialização, logística e varejo.

Um mapa desigual

A dispersão regional é grande: no Sul, a média foi de 4,3 mil litros por vaca, contra 957 litros no Norte. A região Sul responde por 34% da produção nacional e o Sudeste por 33,5%. Minas Gerais lidera entre os estados, com 10,1 bilhões de litros. O leite de vaca representou 63,4% do valor total da produção pecuária, que somou R$ 141,2 bilhões, alta de 6,2%.

A distância entre 4,3 mil e 957 litros por vaca sugere que o potencial de ganho ainda por realizar é considerável fora do eixo Sul-Sudeste.

📊 Número do Dia

2.498,7 litros por vaca — Produtividade média do rebanho leiteiro brasileiro em 2025, recorde da série do IBGE, com alta de 5,6% sobre 2024

Por que isso importa

Quando a produção cresce sem aumento de rebanho, o ganho vem de eficiência, e não de expansão de recursos. Isso sustenta a oferta interna e as receitas do setor sem pressionar área ou número de animais, mas o próprio IBGE registra que parte desse avanço está ligada à saída de produtores menos capitalizados, concentrando a atividade em unidades maiores.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/producao-de-leite-bate-recorde-mesmo-com-reducao-de-vacas-ordenhadas