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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Governo propõe mais orçamento a reguladores depois do caso Master

O governo Lula sugeriu ao Congresso Nacional elevar o orçamento de órgãos reguladores do mercado financeiro e de capitais, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 28 de setembro de 2026. A proposta surge depois de críticas a falhas de fiscalização que, conforme o relato, teriam possibilitado fraudes atribuídas ao Banco Master e a empresas coligadas.

Governo sugere ao Congresso elevar orçamento de reguladores do mercado financeiro após críticas por falhas de fiscalização no caso Banco Master, diz a Folha.

A informação é direta e, por isso mesmo, exige cuidado: trata-se de uma sugestão orçamentária encaminhada ao Congresso, e não de recursos já aprovados, liberados ou executados. O Legislativo é quem aprecia e aprova a peça orçamentária. Entre a proposta e a contratação efetiva de fiscais, sistemas e auditorias existe um caminho institucional inteiro.

O que está documentado e o que não está

Segundo a Folha de S.Paulo, o governo propôs ampliar o orçamento de órgãos reguladores do mercado financeiro e de capitais depois de esses órgãos receberem críticas por falhas na fiscalização que teriam permitido as fraudes atribuídas ao Banco Master e a empresas coligadas. O material disponível não detalha valores, quais órgãos específicos foram contemplados, o percentual de aumento nem o cronograma. Sem esses elementos, qualquer dimensionamento do impacto seria invenção.

Por que supervisão é um bem econômico

Regulação financeira não é burocracia decorativa. Ela existe porque o sistema financeiro opera sobre um problema clássico de assimetria de informação: o depositante ou investidor sabe muito menos sobre a qualidade dos ativos de uma instituição do que a própria instituição. Quando a supervisão falha, o preço não é pago apenas pelo acionista que apostou errado. Ele se espalha por credores, por fundos garantidores e, em última instância, pela confiança que sustenta o crédito de todo o mercado.

Há também a questão do risco moral: se uma instituição percebe que pode assumir riscos elevados sabendo que a fiscalização é lenta ou incompleta, o incentivo para tomar risco excessivo aumenta. Boa supervisão, nesse sentido, é o que torna a liberdade de empreender no setor financeiro compatível com a segurança de quem confia dinheiro a terceiros.

Dinheiro é condição necessária, não suficiente

Aqui entra a análise que o caso pede. Orçamento maior pode financiar mais pessoal qualificado, tecnologia de monitoramento e capacidade de investigação. Mas falha de fiscalização raramente tem causa única. Pode decorrer de escassez de recursos, de desenho institucional inadequado, de lentidão processual, de sobreposição de competências entre reguladores ou de poderes legais insuficientes. O material disponível não permite identificar qual desses fatores pesou no caso Master. Elevar a dotação sem diagnóstico público sobre a origem da falha corre o risco de tratar sintoma, não causa.

O que o contribuinte deveria acompanhar

Para quem paga a conta, a pergunta relevante não é quanto se gasta com regulação, mas o que se obtém em troca. Supervisão eficaz tende a ser barata em comparação com o custo de uma crise de confiança. O teste virá adiante: se o Congresso aprovar o reforço, será possível verificar se ele se converte em capacidade real de fiscalização ou apenas em linha orçamentária ampliada.

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Por que isso importa

A capacidade de fiscalização determina quanto risco oculto pode se acumular no sistema financeiro antes de aparecer. Reforçar o orçamento dos reguladores é uma resposta plausível às críticas relatadas, mas ainda é apenas uma proposta ao Congresso, e seu efeito dependerá de aprovação, execução e de o dinheiro atacar a causa real da falha apontada no caso Master.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/governo-eleva-orcamento-de-reguladores-do-mercado-financeiro-apos-falhas-no-caso-master.shtml