Pular para o conteúdo
terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Desenrola Adimplentes ganha 30 dias e pouca adesão bancária

O governo federal prorrogou por 30 dias o Desenrola Adimplentes, que permite a trabalhadores informais renegociar até R$ 15 mil em dívidas de crédito pessoal. As operações poderão ser feitas até 26 de outubro, segundo reportagem da Agência Brasil publicada em 28 de setembro de 2026.

Desenrola Adimplentes foi prorrogado até 26 de outubro. Programa limita juros a 1,99% ao mês para informais, mas enfrenta baixa adesão dos bancos.

O Desenrola Adimplentes foi criado por medida provisória publicada em 29 de junho, com prazo inicial de 90 dias. Esse prazo terminaria na semana passada, mas a extensão foi estabelecida pela medida provisória que instituiu o Desenrola 3.0, nova etapa do programa. A nova data limite, 26 de outubro, coincide com o fim da vigência da MP que criou a iniciativa.

O que o programa oferece

A regra é específica. Podem renegociar até R$ 15 mil em dívidas sem garantia, contratadas por trabalhadores informais em operações de crédito pessoal. O cliente precisa ter quitado ao menos quatro parcelas do financiamento e estar em dia ou com atraso inferior a 90 dias. O teto de juros da repactuação é de 1,99% ao mês. Segundo dados apresentados pelo governo, a taxa média dessas operações gira hoje em torno de 7% ao mês.

A diferença não é pequena. Juros compostos de 7% ao mês equivalem a algo muito acima de 100% ao ano; a 1,99%, o custo anual cai para a casa dos 27%. Para uma família informal endividada, a economia potencial em parcelas é expressiva.

Por que o crédito informal custa caro

A explicação está na informação. Bancos precificam risco. Quem não comprova renda formal é enquadrado como devedor de risco mais alto, e a taxa embute essa incerteza. Foi exatamente esse ponto que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, usou na justificativa da medida provisória: trabalhadores sem vínculo formal têm dificuldade para comprovar renda e, por isso, acesso maior a linhas caras.

O problema é que um teto de juros não elimina o risco. Ele apenas proíbe que o preço o reflita. Quando isso acontece, a resposta previsível do ofertante não é cobrar menos, mas ofertar menos.

A adesão que não veio

Foi o que ocorreu. Segundo a Agência Brasil, os bancos demonstraram pouco interesse desde a criação do programa, por se tratar de renegociação de dívidas ainda não vencidas e de público restrito. Para ampliar a participação, o governo incluiu a portabilidade de crédito, permitindo que bancos públicos ofereçam repactuação. Ainda assim, a adesão ficou abaixo do previsto.

Há também o custo do atraso: a MP saiu em 29 de junho, mas as renegociações só começaram em 10 de agosto, após mudanças nas regras pedidas por Banco do Brasil e Caixa, agentes operadores. Foram cerca de seis semanas perdidas de um prazo de 90 dias, o que ajuda a explicar a prorrogação.

O desenho revela uma tensão clássica: uma política que depende da adesão voluntária de instituições privadas precisa oferecer a elas algum incentivo econômico. Quando o incentivo é apenas normativo, o balcão pode simplesmente permanecer vazio. Os resultados finais do programa, contudo, ainda não foram divulgados.

📊 Número do Dia

1,99% ao mês — Teto de juros das renegociações do Desenrola Adimplentes, contra uma taxa média em torno de 7% ao mês nessas operações, segundo dados apresentados pelo governo.

Por que isso importa

O programa tenta reduzir o custo do crédito para trabalhadores informais por decisão administrativa, sem alterar o risco que justifica as taxas elevadas. A baixa adesão dos bancos e os atrasos operacionais mostram que tetos de juros só funcionam se houver incentivo para o credor participar. Sem isso, o crédito barato existe no papel, mas não no balcão.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/renegociacao-de-dividas-de-adimplentes-e-prorrogada-ate-26-de-outubro