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terça-feira, 27 de outubro de 2026 Brasil

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Hidrelétricas vencem até 2032 e governo discute limites em leilões

O Ministério de Minas e Energia colocou em consulta pública uma proposta de diretrizes para o futuro de concessões de usinas hidrelétricas que vencem até 2032, mencionando possíveis travas em leilões para evitar concentração entre grandes grupos do setor, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 23 de setembro de 2026.

MME abre consulta pública sobre concessões de hidrelétricas que vencem até 2032 e cogita travas em leilões para evitar concentração de mercado.

A notícia é, por ora, de procedimento: o MME abriu uma consulta pública sobre diretrizes. Não há leilão marcado, edital publicado nem regra definida. Mas o tema é dos mais economicamente sensíveis da infraestrutura brasileira, porque trata de quem vai operar ativos que já estão construídos, amortizados ao longo de décadas e que produzem energia a custo operacional relativamente baixo.

O que está em jogo quando uma concessão vence

Concessão é um contrato temporário. O Estado é o titular do potencial hidráulico e delega a exploração a uma empresa por prazo determinado. Quando esse prazo termina, o ativo volta ao poder concedente, que precisa decidir o que fazer: prorrogar, licitar, ou adotar outro arranjo. Segundo a Folha de S.Paulo, o que o MME colocou em discussão é justamente o desenho dessa decisão para um conjunto de usinas cujos contratos expiram até 2032.

A questão econômica é simples de enunciar e difícil de resolver: uma usina hidrelétrica antiga é um ativo raro. Não se constrói outra ao lado. O valor que o vencedor de um eventual leilão estiver disposto a pagar depende da expectativa de receita futura, e essa expectativa depende das regras que o próprio governo definir agora.

Por que a concentração preocupa

Geração hidrelétrica não é um mercado infinitamente divisível. O número de usinas de grande porte é limitado pela geografia. Quando poucos grupos controlam parcela elevada da capacidade despachável, ganham influência sobre a formação de preços no mercado livre e maior poder de barganha em contratos de longo prazo. A menção a travas em leilões, conforme relatado pela Folha, indica que o ministério considera limitar quanto um mesmo grupo poderia arrematar.

Essa é uma tensão clássica da política de concorrência aplicada a leilões. Restrições à participação podem reduzir o número de interessados com capacidade financeira e, portanto, o valor arrecadado pelo Tesouro. Sem restrições, a arrecadação imediata pode ser maior, mas o custo aparece depois, difuso, nas tarifas e nos contratos. É uma escolha entre receita fiscal hoje e estrutura de mercado amanhã.

O que ainda não está decidido

Consulta pública é o começo do processo, não o fim. As diretrizes precisam ser consolidadas, e o material disponível não detalha formato dos leilões, critérios de habilitação nem o desenho final das travas cogitadas. Para geradores, comercializadores e grandes consumidores, o prazo até 2032 parece distante, mas decisões de investimento e contratação de energia de longo prazo se formam com anos de antecedência. A previsibilidade regulatória vale tanto quanto a regra em si.

📊 Número do Dia

2032 — Ano limite de vencimento das concessões de usinas hidrelétricas abrangidas pela proposta de diretrizes colocada em consulta pública pelo MME

Por que isso importa

A definição das regras para essas concessões determina quem controlará ativos de geração já construídos e de baixo custo operacional. O desenho escolhido afeta simultaneamente a arrecadação do poder concedente, o grau de concentração do mercado de geração e, por consequência, as condições de preço enfrentadas por consumidores livres e cativos nos próximos anos.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/infraestrutura/2026/09/governo-cogita-travas-em-leiloes-de-hidreletricas-para-evitar-concentracao.shtml