A mudança de expectativa acontece cinco dias depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros para 13,75% ao ano, segundo informou a Agência Brasil. Ao projetar um novo recuo até dezembro, o mercado sinaliza que considera o ciclo de afrouxamento monetário ainda em curso, e não encerrado.
Por que a Selic mexe no bolso
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando ela sobe, o crédito fica mais caro, o consumo desacelera e os preços tendem a ceder. Quando cai, o efeito é o oposto: crédito mais barato, mais estímulo ao consumo e ao investimento. Vale lembrar que essa é uma relação geral da política monetária — os bancos ainda somam a esse custo básico fatores como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas ao definir os juros cobrados do consumidor final, conforme destacou a Agência Brasil.
Para os próximos anos, as projeções do Focus permanecem estáveis: 12% ao ano em 2027, 10,50% em 2028 e 10% em 2029. Ou seja, o mercado não vê uma queda abrupta dos juros, mas uma trajetória gradual de redução.
Inflação e crescimento seguem no radar
Enquanto a expectativa para os juros caiu, a projeção para a inflação subiu ligeiramente. O mercado elevou de 4,90% para 4,92% a estimativa do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para 2026. Para 2027, a previsão foi mantida em 4,30%, e para 2028, em 3,80%. Isso significa que, mesmo com juros mais baixos no horizonte, a inflação deste ano deve ficar acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Já o crescimento da economia brasileira teve nova revisão para baixo, ainda que discreta: a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 caiu de 1,89% para 1,88%, e a de 2027 recuou de 1,45% para 1,43%. A projeção para 2028 permaneceu em 1,87%. No câmbio, as expectativas não mudaram: R$ 5,20 em 2026, R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,30 em 2028.
O conjunto desses números mostra um mercado que espera juros mais baixos sem grande otimismo sobre o crescimento — um cenário que ajuda a entender por que o Copom tem avançado com cautela. O próximo boletim Focus, divulgado semanalmente, indicará se essa trajetória de revisão gradual se mantém ou se muda de direção diante de novos dados de inflação e atividade.
📊 Número do Dia
13,50% ao ano — Projeção do mercado financeiro para a taxa Selic ao fim de 2026, segundo o Boletim Focus do Banco Central divulgado em 21 de setembro; valor anterior era 13,75%
Por que isso importa
Uma Selic mais baixa tende a reduzir, com o tempo, o custo do crédito para consumidores e empresas, facilitando financiamentos e investimentos. Mas a expectativa é apenas uma projeção do mercado, sujeita a revisões semanais, e a inflação prevista para 2026 segue acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central — o que explica por que o corte de juros tem sido gradual.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/mercado-reduz-projecao-da-selic-para-1350
