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segunda-feira, 21 de setembro de 2026 Brasil

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Golpe em que a vitima programa o proprio roubo

Tutoriais falsos que prometiam bots de negociacao com inteligencia artificial levaram 224 vitimas a publicar e abastecer elas mesmas contratos programados para drenar seus fundos, segundo levantamento da TRM divulgado pelo The Defiant em 18 de setembro.

TRM rastreou 274,60 ETH ate seis enderecos apos 224 vitimas seguirem tutoriais falsos de bots de IA e financiarem contratos maliciosos entre fevereiro e agosto.

O esquema descrito pela empresa de analise de blockchain TRM, em reportagem do The Defiant, inverte a logica habitual do roubo em criptoativos. Nao houve invasao de carteira nem senha roubada: as vitimas seguiram instrucoes passo a passo, publicaram o contrato na rede e transferiram os proprios recursos para ele. Segundo a apuracao, 224 pessoas caíram no golpe entre fevereiro e agosto, e 274,60 ETH foram rastreados ate seis enderecos de operadores.

Como funciona um contrato que se volta contra o usuario

Um smart contract e um programa publicado em uma blockchain que executa regras predefinidas quando certas condicoes sao atendidas. Ele nao tem intencao: faz exatamente o que o codigo determina. Se o codigo prevê que qualquer saldo depositado seja enviado a um endereco especifico, isso acontecera de forma automatica e irreversivel. Os tutoriais falsos, de acordo com a TRM, embrulhavam essa instrucao na promessa de um bot de arbitragem movido a inteligencia artificial, tema suficientemente na moda para reduzir o ceticismo de quem assiste.

Por que a engenharia social e mais barata que o ataque tecnico

Atacar um protocolo exige encontrar falhas em codigo auditado. Convencer alguem a executar o codigo do atacante exige apenas um video convincente. Do ponto de vista economico, o golpe transfere para a vitima todo o custo operacional: ela paga as taxas de rede, assina a transacao e assume o risco. O operador so precisa esperar. A media aritmetica de 274,60 ETH divididos por 224 vitimas resulta em aproximadamente 1,23 ETH por pessoa, calculo da redacao a partir dos numeros informados; a fonte nao detalha a distribuicao entre os casos, que pode ser bastante desigual.

O que isso revela sobre a defesa do usuario comum

Boa parte da orientacao de seguranca em cripto se concentra em nao compartilhar a frase de recuperacao e nao clicar em links suspeitos. Esse caso mostra um vetor que atravessa essas defesas: a vitima age de forma deliberada, com acesso legitimo as proprias chaves. Nenhuma carteira pode distinguir uma transacao desejada de uma transacao induzida por engano. A transparencia da blockchain, que permitiu a TRM rastrear os fundos ate seis enderecos, tambem nao equivale a recuperacao: identificar para onde o dinheiro foi e diferente de conseguir trazê-lo de volta.

O ponto a acompanhar

A reportagem nao informa a nacionalidade das vitimas nem indica medidas de autoridades. Para o leitor brasileiro, a licao transferivel nao depende de jurisdicao: publicar um contrato inteligente e uma acao irreversivel, e tutoriais que prometem retorno automatico merecem ser tratados como afirmacao comercial ate prova em contrario. Bots de arbitragem existem, mas a existencia da categoria nao valida nenhum tutorial especifico.

📊 Número do Dia

274,60 ETH , Montante rastreado pela TRM ate seis enderecos de operadores, proveniente de 224 vitimas que publicaram e financiaram contratos maliciosos entre fevereiro e agosto, segundo o The Defiant

Por que isso importa

O caso mostra que a maior vulnerabilidade em criptoativos nem sempre esta no codigo dos protocolos, mas na decisao informada de quem assina a transacao. Como operacoes em blockchain sao irreversiveis e nao ha intermediario para estornar, o custo de uma instrucao mal compreendida recai inteiramente sobre o usuario.


Fonte original: https://thedefiant.io/news/security/fake-ai-bot-tutorials-tricked-224-victims-into-deploying-their-own-drainers