Enquanto o debate nacional sobre inovação tecnológica costuma girar em torno de São Paulo e do eixo Rio-Minas, a Bahia constrói discretamente um polo relevante em uma das áreas mais avançadas da ciência atual: a computação quântica. O QuIIN, centro ligado ao Senai Cimatec, lançado em janeiro de 2024, já reúne mais de 80 pesquisadores e bolsistas, mantém 12 projetos de pesquisa e desenvolvimento em andamento e atraiu 21 startups para seu ecossistema.
Os números foram apresentados durante visita da ministra do MCTI, Luciana Santos, que também fez um balanço dos R$ 1,93 bilhão em investimentos federais destinados ao estado desde o início da atual gestão. Esses recursos financiam infraestrutura científica, bolsas de pesquisa e projetos considerados estratégicos, incluindo a supercomputação e pesquisas biomédicas que a ministra também conheceu na visita.
Da formação à repatriação de cientistas
Segundo a vice-reitora da Universidade Senai Cimatec, Josiane Dantas, o centro já formou mais de 2.750 pessoas em cursos de curta duração, MBA e especializações, com parte significativa dos alunos vindo de fora do país. Um efeito adicional, segundo ela, tem sido a repatriação de pesquisadores brasileiros que atuavam no exterior — um mecanismo relevante em áreas de fronteira tecnológica, onde a escassez de talento qualificado costuma ser gargalo para países em desenvolvimento.
O presidente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, reconheceu que o acesso de pequenas e médias empresas baianas a esse ecossistema ainda é limitado, mas classificou como progresso a trajetória recente. É uma ressalva importante: ter um centro de excelência não garante automaticamente que o tecido produtivo local se beneficie dele.
Investimento privado já é maioria
Um dado chama atenção no balanço mais amplo do Cimatec: como Unidade Embrapii — rede que conecta institutos de pesquisa a empresas —, a instituição mobilizou R$ 569,24 milhões em investimentos de inovação entre 2023 e 2026, com 165 projetos e 148 empresas parceiras. Mais da metade desses recursos, 51%, veio diretamente do setor privado, o que indica que o modelo consegue atrair capital empresarial e não depende exclusivamente de repasses públicos.
Historicamente, a instituição já mobilizou R$ 1,31 bilhão em projetos de P&D. Soma-se a isso a execução de sete projetos com apoio direto do MCTI via Finep e FNDCT, totalizando R$ 68,6 milhões em saúde, biotecnologia e bioeconomia.
O ponto a acompanhar é justamente esse: se a estrutura de pesquisa consegue se traduzir em ganhos de competitividade para empresas menores da região, ou se permanece concentrada em grandes players e projetos de fronteira científica distantes do dia a dia industrial baiano.
📊 Número do Dia
R$ 569,24 milhões , Investimentos em inovação mobilizados pelo Senai Cimatec como Unidade Embrapii entre 2023 e 2026, com 51% vindos do setor privado
Por que isso importa
O crescimento do polo tecnológico baiano interessa a pesquisadores, empresas de base tecnológica e à indústria local, que pode se beneficiar de acesso a inovação em áreas de fronteira como computação quântica. O desafio identificado por representantes empresariais é ampliar esse acesso para pequenas e médias empresas, que ainda enfrentam barreiras para se conectar a esse ecossistema.
Fonte original: https://atarde.com.br/salvador/senai-cimatec-recebe-visita-do-mcti-e-apresenta-avancos-na-bahia-1402493


