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quinta-feira, 10 de setembro de 2026 Brasil

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Bahia investe R$ 400 milhões para Copa Feminina 2027

A Bahia destinou mais de R$ 400 milhões em investimentos aeroportuários e infraestrutura para receber a Copa do Mundo Feminina de 2027. Salvador sediará sete partidas entre junho e julho, e o governo estadual aposta na ampliação de voos internacionais e na diversificação de roteiros turísticos para atrair visitantes além da capital.

Bahia investe R$ 400 milhões em infraestrutura para Copa Feminina 2027. Estado amplia rotas aéreas e aposta em turismo regional para gerar emprego e receita.

A Bahia está mobilizando recursos significativos para transformar a Copa do Mundo Feminina de 2027 em uma oportunidade econômica de longo prazo. Com Salvador entre as oito cidades-sede e sete partidas previstas na Arena Fonte Nova entre 25 de junho e 12 de julho, o estado investiu mais de R$ 400 milhões em melhorias aeroportuárias e R$ 7,1 bilhões em infraestrutura desde 2023, segundo a Secretaria de Turismo estadual. A estratégia vai além dos dias de jogos: o objetivo é fazer com que turistas permaneçam mais tempo e conheçam destinos além da capital, gerando receita em diferentes regiões.

A conectividade aérea é a peça central do planejamento. Salvador conta atualmente com sete rotas internacionais diretas: Lisboa, Madri, Paris, Buenos Aires, Montevidéu, Santiago e Cidade do Panamá. A novidade é a ligação com Santiago, operada pela LATAM a partir de janeiro de 2027, que reduz em cerca de três horas o tempo de viagem em comparação com voos com conexão. Para o secretário estadual de Turismo, Maurício Bacellar, essa expansão consolida a Bahia como “o maior mercado receptor de turistas internacionais do Norte e Nordeste”. A título de comparação, enquanto o Rio de Janeiro possui cerca de 15 rotas internacionais diretas, Salvador vem ampliando sua malha aérea para competir regionalmente com capitais nordestinas como Recife e Fortaleza.

O que a experiência de 2014 ensinou

A Bahia já testou o impacto de sediar uma Copa do Mundo. Em 2014, Salvador recebeu 825,1 mil turistas apenas em junho — 237,6 mil visitantes a mais que o fluxo convencional do período. A Arena Fonte Nova registrou 300.674 torcedores em seis partidas, com média de 50.112 pessoas por jogo. A receita turística do mês atingiu R$ 1,2 bilhão, valor 30% superior aos R$ 920 milhões de junho de 2015. Agora, com sete jogos previstos (um a mais que em 2014), a expectativa é superar esses números e, principalmente, distribuir os benefícios econômicos para além da capital.

A estratégia inclui oferecer roteiros pela Baía de Todos-os-Santos, Chapada Diamantina e litoral, com opções para diferentes perfis de visitantes. Em 2025, a Bahia recebeu cerca de 210 mil turistas internacionais, e até julho de 2026 já haviam desembarcado mais de 130 mil visitantes estrangeiros, indicando crescimento consistente. Um estudo da Embratur estima que a Copa Feminina poderá movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira, com R$ 4,7 bilhões relacionados diretamente ao público — cerca de 2 milhões de pessoas circulando durante o mês da competição.

Mobilidade e geração de empregos

O planejamento de transporte inclui o uso do BRT (sistema de ônibus rápido) para deslocamento até a Arena Fonte Nova, com testes já realizados em eventos no estádio. A cidade estuda linhas expressas operadas exclusivamente por mulheres nos dias de jogos e a possibilidade de transporte público gratuito para torcedores com ingresso, voluntários e profissionais credenciados — medida prevista no acordo entre Fifa, CBF e cidades-sede. Pense no BRT como um metrô de superfície: ônibus circulam em faixas exclusivas, sem disputar espaço com carros, tornando o trajeto mais rápido e previsível.

O impacto esperado vai além do turismo. A projeção da Embratur aponta potencial para sustentar 45,7 mil empregos no país durante o evento, beneficiando setores como hotelaria, alimentação, transporte, comércio e entretenimento. Na Bahia, a intenção é que essa circulação de renda alcance diferentes regiões, fortalecendo uma cadeia turística diversificada. É como se a Copa funcionasse como uma vitrine: os turistas chegam pelos jogos, mas descobrem outros destinos e voltam em outras ocasiões, gerando receita contínua.

📊 Número do Dia

R$ 8,8 bilhões , Movimentação estimada pela Embratur na economia brasileira com a Copa do Mundo Feminina de 2027, sendo R$ 4,7 bilhões relacionados diretamente ao público

Por que isso importa

Para o cidadão baiano, a Copa representa oportunidade de emprego temporário e permanente em setores como turismo, transporte e comércio. Para empresas do setor turístico, significa aumento de demanda e possibilidade de fidelizar clientes internacionais. Para investidores, sinaliza crescimento da infraestrutura regional e potencial de valorização imobiliária em áreas turísticas. A experiência de 2014 mostrou que eventos esportivos podem gerar receita 30% superior ao fluxo convencional, mas o desafio agora é transformar visitantes temporários em turistas recorrentes, distribuindo benefícios econômicos para além da capital.


Fonte original: https://atarde.com.br/esportes/copa-do-mundo-bahia-investe-r-400-milhoes-e-traz-novos-voos-para-ampliar-turismo-1400814